Tenho uma tensão de sentimento.É estranho, não me impele. Algo resignado. Impressão de que não poderia ser diferente, posto que se fosse,não o seria. Me calo.
Tantos sons. Tanta banalidade.
Me calo.
(não. Isto é absurdamente uma mentira. Tagarelo inutilidades.me desperdiço.)
Sei que inventei tal tensão. Inutil? muito.
A verdade é que não há oposição entre o translúcido e o opaco. Inclusive, não há oposições.
Há somente desejo.
Ele ressoa, indefinível. Não quer se concretizar. Desejo de desejo é feitiço, artificialidade. Não é nem deixa de ser. Não tem objeto, não se dirige a nada, nem quer conquistar o mundo. Desejo pleno é só prazer dor numa dimensão onda nada mais se distingue. E tudo, que eu digo falo penso, já não corresponde à essa angústia. Já não corresponde a nada. Não tenho nada a dizer sobre o mundo.
No entanto, escrevo falo penso todo o tempo.É preciso suportar o silêncio. Suportar o tempo. É só para existir que existe a expressão. Ainda que nada de fundamental possa ser dito.
(...!)
é preciso distrair-se, divertir, fixar, transbordar.
петак, мај 13
четвртак, мај 12
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Manuel Bandeira
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Manuel Bandeira
понедељак, мај 9
Ápice
O raio do sol da tarde
Que uma janela perdida
Refletiu
Num instante indiferente —
Arde,
Numa lembrança esvaída,
À minha memória de hoje
Subitamente...
Seu efêmero arrepio
Ziguezagueia, ondula, foge,
Pela minha retentiva...
— E não poder adivinhar
Porque mistério se me evoca
Esta idéia fugitiva,
Tão débil que mal me toca!...
— Ah, não sei porquê, mas certamente
Aquele raio cadente
Alguma coisa foi na minha sorte
Que a sua projeção atravessou...
Tanto segredo no destino de uma vida...
É como a idéia de Norte,
Preconcebida,
Que sempre me acompanhou...
Sá Carneiro
O raio do sol da tarde
Que uma janela perdida
Refletiu
Num instante indiferente —
Arde,
Numa lembrança esvaída,
À minha memória de hoje
Subitamente...
Seu efêmero arrepio
Ziguezagueia, ondula, foge,
Pela minha retentiva...
— E não poder adivinhar
Porque mistério se me evoca
Esta idéia fugitiva,
Tão débil que mal me toca!...
— Ah, não sei porquê, mas certamente
Aquele raio cadente
Alguma coisa foi na minha sorte
Que a sua projeção atravessou...
Tanto segredo no destino de uma vida...
É como a idéia de Norte,
Preconcebida,
Que sempre me acompanhou...
Sá Carneiro
среда, мај 4
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
Álvaro de Campos
среда, април 27
понедељак, април 25
Eu expando, logo sou.
Mas nunca existi, a não ser em alguma história que eu mesmo inventei pra distrair do tédio que me causa a concretude, tão grosseira e cansativa.
Por que é tão provisório este ser de parte alguma, este não-lugar, esta estrada...
Não tenho casa e me lanço.Enlaço.
Eterna fixação nas possibilidades infinitas que se abrem a um horizonte vazio e azul.
Sem amargura.
Sei que ser partido é ter que partir sempre rumo a vastidão inalcançável.
Este mundo entremundos...sem limites, sem finalidade.
Esta margem do meio...
Esta ânsia que é azia e gozo.
Este maremoto que causo todos os dias em um copo d’água.
Este teu sorriso quase velado, teu silêncio, teus olhos e suas mãos...Não, não é paixão. È mais um repousar ardente, efêmero, no inefável.
_ não faz sentido. Eu sei.
Mas nunca existi, a não ser em alguma história que eu mesmo inventei pra distrair do tédio que me causa a concretude, tão grosseira e cansativa.
Por que é tão provisório este ser de parte alguma, este não-lugar, esta estrada...
Não tenho casa e me lanço.Enlaço.
Eterna fixação nas possibilidades infinitas que se abrem a um horizonte vazio e azul.
Sem amargura.
Sei que ser partido é ter que partir sempre rumo a vastidão inalcançável.
Este mundo entremundos...sem limites, sem finalidade.
Esta margem do meio...
Esta ânsia que é azia e gozo.
Este maremoto que causo todos os dias em um copo d’água.
Este teu sorriso quase velado, teu silêncio, teus olhos e suas mãos...Não, não é paixão. È mais um repousar ardente, efêmero, no inefável.
_ não faz sentido. Eu sei.
уторак, април 19
Dois caminhos eternamente paralelos. Reconhecimento e desconhecimento. clareza e obscuridade. cebtro e margem. legitimo e bastardo. Em casa e expatriado. trajeto interminável, intraduzível. Vontade de não estar em nenhum lugar. Furiosa amolação isso de ver a vida com essa pertubadora nitidez. Ha quem importa...Nos transformamos em alguem imprevisto, e tudo fica para trás. Por fim, ha sempre um novo povo, um outro corpo, outro outro qualquer, sedento de prazeres, pura e simplesmente bárbaro, disposto a desfrutar dos despojos dos vencidos, a rir-se, a rir de si.
Desnecessária catastrofe indecídivel. A vida toda cheia do que não existe. Muito mais importante do que o que existe, o que existe nao importa, eu ja tenho. Mistura indestrinçável, onde reúno e fundo, eu e minhas voliçoes confusas, ambuiguas. tudo é instavel e suspenso.
Até entao, pelo menos.
Diante de,
Vou ao Rio. Vou ao Rio.
Desnecessária catastrofe indecídivel. A vida toda cheia do que não existe. Muito mais importante do que o que existe, o que existe nao importa, eu ja tenho. Mistura indestrinçável, onde reúno e fundo, eu e minhas voliçoes confusas, ambuiguas. tudo é instavel e suspenso.
Até entao, pelo menos.
Diante de,
Vou ao Rio. Vou ao Rio.
петак, април 15
Oriente
Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração
Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd,
lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação
Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão.
(Gilberto Gil)
Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração
Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd,
lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação
Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão.
(Gilberto Gil)
уторак, април 12
Confissão
Não amei bastante meu semelhante,
não catei o verme nem curei a sarna.
Só proferi algumas palavras,
melodiosas, tarde, ao voltar da festa.
Dei sem dar e beijei sem beijo.
(Cego é talvez quem esconde os olho
sembaixo do catre.) E na meia-luz
tesouros fanam-se, os mais excelentes.
Do que restou, como compor um homem
e tudo que ele implica de suave,
de concordâncias vegetais, murmúrios
de riso, entrega, amor e piedade?
Não amei bastante sequer a mim mesmo,
contudo próximo. Não amei ninguém.
Salvo aquele pássaro – vinha azul e doido –
que se esfacelou na asa do avião.
CDA
Não amei bastante meu semelhante,
não catei o verme nem curei a sarna.
Só proferi algumas palavras,
melodiosas, tarde, ao voltar da festa.
Dei sem dar e beijei sem beijo.
(Cego é talvez quem esconde os olho
sembaixo do catre.) E na meia-luz
tesouros fanam-se, os mais excelentes.
Do que restou, como compor um homem
e tudo que ele implica de suave,
de concordâncias vegetais, murmúrios
de riso, entrega, amor e piedade?
Não amei bastante sequer a mim mesmo,
contudo próximo. Não amei ninguém.
Salvo aquele pássaro – vinha azul e doido –
que se esfacelou na asa do avião.
CDA
недеља, април 10
Qualquer pessoa com alguma inteligencia sabe que está a levar uma estúpida, qualquer que seja ela. Nada há de especial nisso. Simplesmente não há outra forma de vida, se se tem consciência dela.
Submerso na inconsciência, bestialmente, talvez fosse possível sorver o vivido. O resto, excremento intelectual, não é mais do que uma superficialidade, essa claridade esverdeada, precipício transparente.Nisso, vivemos.
Submerso na inconsciência, bestialmente, talvez fosse possível sorver o vivido. O resto, excremento intelectual, não é mais do que uma superficialidade, essa claridade esverdeada, precipício transparente.Nisso, vivemos.
субота, април 9
четвртак, април 7
Boas Novas
Poetas e loucos aos poucos
Cantores do confins
E mágicos das frases
Endiabradas sem mel
Trago boas novas
Bobagens num papel
Balões incendiados
Coisas que caem do céu
Sem mais nem por que
Queria um dia no mundo
Poder te mostrar o meu
Talento pra loucura
Procurar dores no peito
Eu sei que sou perfeito
Pra fazer discursos longos
Fazer discursos longos
Sobre o que não fazer
Que é que eu vou fazer?
Senhoras e senhores
Trago boas novas
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Criei milhares de metáforas
E nada lhe falei
Das tripas coração
Do medo
Minha oração
Agarrei com Deus a cada hora da partida
Na hora da partida
Tiros de vamos pra vida
Então vamos pra vida
Senhoras e senhores
Trago boas novas
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
(Cazuza)
Poetas e loucos aos poucos
Cantores do confins
E mágicos das frases
Endiabradas sem mel
Trago boas novas
Bobagens num papel
Balões incendiados
Coisas que caem do céu
Sem mais nem por que
Queria um dia no mundo
Poder te mostrar o meu
Talento pra loucura
Procurar dores no peito
Eu sei que sou perfeito
Pra fazer discursos longos
Fazer discursos longos
Sobre o que não fazer
Que é que eu vou fazer?
Senhoras e senhores
Trago boas novas
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Criei milhares de metáforas
E nada lhe falei
Das tripas coração
Do medo
Minha oração
Agarrei com Deus a cada hora da partida
Na hora da partida
Tiros de vamos pra vida
Então vamos pra vida
Senhoras e senhores
Trago boas novas
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
Eu vi a cara da morte
E ela estava viva
(Cazuza)
среда, април 6
Espalhava mar em mãos, em pés e em olhos. Vislumbrava persistentemente a ilha. Mesmo exausto vislumbrava-a. Afogaria-se ao sonho da ilha ou a alcançaria? Não importava mais, pois nem mesmo ilha tinha certeza ser a ilha. Ilusão naufraga, utopia, paraíso ou só mais uma ilha, pouco lhe importava o que a ilha realmente seja. Sua sobrevivência depende da ilha, da busca pela ilha. Sem esta busca não seria mais naufrago, não mais um sobrevivente, perderia sua identidade, acabaria-se. Uma vez chegando a ilha, nunca mais o naufrago retornaria ao mar. Não haveriam mais barcos a o ajudar em sua travessia, nem barcos a salvá-lo, nem mesmo os barcos que ao seu lado navegavam atentos. E caso cedessem os braços as correntezas e a maré seria ele aportado a ilha? Poderia então esta ser deserta? Poderiam habitar pessoas hostis? Não saberia dizer, a ilha é sempre distante. Incerta. Mas nem ao menos sabemos se a ilha existe. E se existir seria uma acolhida ou uma expulsão? São tantas as possibilidades que o naufrago nunca esteve sozinho. Por fim cansou-se sem estafa deixando-se levar ao fundo do mar. Então calmamente levantou-se e caminhou sobre as águas. Não havia ele imaginado que as águas poderiam ser rasas.
уторак, април 5
Entre perdas e esquecimentos, contabilizo:
_ 3 queridos
_ meu caderno
_ pasta
_carteira
_talao de cheque/cartão de banco
_ uns 60$
_chave de casa
_ porta níquel
_sombrinha
... em casa, som, livros, cigarrro,TV, leve embriaguês, alguma angústia, alguma insônia...clichês:
Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não mora mais em mim
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será que você está
Agora?
_ 3 queridos
_ meu caderno
_ pasta
_carteira
_talao de cheque/cartão de banco
_ uns 60$
_chave de casa
_ porta níquel
_sombrinha
... em casa, som, livros, cigarrro,TV, leve embriaguês, alguma angústia, alguma insônia...clichês:
Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Eu perco a hora
Eu chego no fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não mora mais em mim
Eu perco as chaves de casa
Eu perco o freio
Estou em milhares de cacos
Eu estou ao meio
Onde será que você está
Agora?
недеља, април 3
Lépida e leve
Gilka Machado
Lépida e leve
em teu labor que, de expressões à míngua,
O verso não descreve...
Lépida e leve,
guardas, ó língua, em seu labor,
gostos de afagos de sabor.
És tão mansa e macia,
que teu nome a ti mesmo acaricia,
que teu nome por ti roça,
flexuosamente,como rítmica serpente,
e se faz menos rudo,
o vocábulo, ao teu contacto de veludo.
Dominadora do desejo humano,
estatuária da palavra,
ódio, paixão, mentira, desengano,
por ti que incêndio no Universo lavra!...
És o réptil que voa,
o divino pecado
que as asas musicais, às vezes, solta, à toa,
e que a Terra povoa e despovoa
,quando é de seu agrado.
Sol dos ouvidos, sabiá do tato,
ó língua-idéia, ó língua-sensação,
em que olvido insensato,
em que tolo recato,
te hão deixado o louvor, a exaltação!
— Tu que irradiar pudeste os mais formosos poemas!
— Tu que orquestrar soubeste as carícias supremas!
Dás corpo ao beijo, dás antera à boca, és um tateio de alucinação,
és o elástico da alma... Ó minha loucalíngua,
do meu Amor penetra a boca,
passa-lhe em todo senso tua mão,
enche-o de mim, deixa-me oca...
— Tenho certeza, minha louca,
de lhe dar a morder em ti meu coração!
...Língua do meu Amor velosa e doce,
que me convences de que sou frase,
que me contornas, que me veste quase,
como se o corpo meu de ti vindo me fosse.
Língua que me cativas, que me enleiasos surtos de ave estranha,
em linhas longas de invisíveis teias,
de que és, há tanto, habilidosa aranha...
Língua-lâmina, língua-labareda,
língua-linfa, coleando, em deslizes de seda...
Força inféria e divina
faz com que o bem e o mal resumas,
língua-cáustica, língua-cocaína,
língua de mel, língua de plumas?
...Amo-te as sugestões gloriosas e funestas,
amo-te como todas as mulheres
te amam, ó língua-lama, ó língua-resplendor,
pela carne de som que à idéia emprestas
e pelas frases mudas que proferes
nos silêncios de Amor!...
уторак, март 29
недеља, март 27
Frio, expatriado, cego, permanentemente em luto.Condenado por desamor a vagar pela rua, no meio da margem. Condena-lo a vê-las, todas elas. Todos os dias.
As mãos dos anjos não me consolam. Abismo raso, sem perdão.
Saio. Procuro por elas. Enfureço-me. Falo, discurso, quase desculpo-me. Ele não se levanta mais. Agora, sou apenas um escroto deprimido.
Berro solitário. Não há nem eco.
Eu sei que essa noite lentamente agoniza, como eu. Apenas mais um, transfigurado, transformado, retorcido, estuprado, pasteurizado, processado, industrializado, embalado e finalmente, congelado em pequenos pedaços para que em doses homeopáticas me torne vivo.
As mãos dos anjos não me consolam. Abismo raso, sem perdão.
Saio. Procuro por elas. Enfureço-me. Falo, discurso, quase desculpo-me. Ele não se levanta mais. Agora, sou apenas um escroto deprimido.
Berro solitário. Não há nem eco.
Eu sei que essa noite lentamente agoniza, como eu. Apenas mais um, transfigurado, transformado, retorcido, estuprado, pasteurizado, processado, industrializado, embalado e finalmente, congelado em pequenos pedaços para que em doses homeopáticas me torne vivo.
петак, март 25
среда, март 23
Ninguém é alguém, sou deus, sou herói, sou filósofo, sou demónio e sou o mundo, o que é uma forma cansativa de dizer que não sou.
(sou livre? )
A morte (ou a sua alusão) torna os homens delicados e patéticos. Estes comovem-se pela sua condição de fantasmas. Cada acto que executam pode ser o último. Não há um rosto que não esteja por se desfigurar como o rosto de um sonho. Tudo, entre os mortais, tem o valor do irrecuperável e do perdido. Entre os Imortais, pelo contrário, cada acto (e cada pensamento) é o eco de outros que no passado o antecederam, sem princípio visível, ou o claro presságio de outros que, no futuro, o repetirão até à vertigem. Não há coisa que não esteja perdida entre infatigáveis espelhos. Nada pode ocorrer uma só vez, nada é primorosamente gratuito. O elegíaco, o grave, o cerimonial, não contam para os Imortais. Homero e eu separamo-nos nas portas de Tânger. Creio que não nos despedimos.
Ser imortal é coisa sem importância. Excepto o homem, todas as criaturas o são, porque ignoram a morte. O divino, o terrível, o incompreensível, é considerar-se imortal.
Jorge Luís Borges, in "O Imortal"
(sou livre? )
A morte (ou a sua alusão) torna os homens delicados e patéticos. Estes comovem-se pela sua condição de fantasmas. Cada acto que executam pode ser o último. Não há um rosto que não esteja por se desfigurar como o rosto de um sonho. Tudo, entre os mortais, tem o valor do irrecuperável e do perdido. Entre os Imortais, pelo contrário, cada acto (e cada pensamento) é o eco de outros que no passado o antecederam, sem princípio visível, ou o claro presságio de outros que, no futuro, o repetirão até à vertigem. Não há coisa que não esteja perdida entre infatigáveis espelhos. Nada pode ocorrer uma só vez, nada é primorosamente gratuito. O elegíaco, o grave, o cerimonial, não contam para os Imortais. Homero e eu separamo-nos nas portas de Tânger. Creio que não nos despedimos.
Ser imortal é coisa sem importância. Excepto o homem, todas as criaturas o são, porque ignoram a morte. O divino, o terrível, o incompreensível, é considerar-se imortal.
Jorge Luís Borges, in "O Imortal"
уторак, март 22
Considerava-se intrinsecamente um anarquista. Compactuava plenamente com a possibilidade do ir e vir, com a irremediável liberdade do ser que se vê livre. Mas num desses vingativos refluxos de mundo se viu obrigado a usar todas suas identificações; CPF, Certificado de Reservista, Titulo de Eleitor (que a propósito havia sido usado na eleição de Luiz Inácio para presidente). Como o objetivo parecia-lhe interessante procurou-os. E procurou mais e mais, até que o pequeno quarto não permitisse que nada mais fosse encontrado. Por fim desistiu da procura atendo-se ao problema. Matou o cachorro e, ai sim, caminhou liberto em direção a porta.
понедељак, март 21
четвртак, март 17
Café Philó
Grandes indagações filosóficas
A natureza é uma obra de arte? A revelação da unidade. Em face do consenso, a salvação passa por uma revolução? O cão. O amor é falta ou plenitude? A felicidade é nosso único objetivo? Haha, vida, o passeio perfeito. O Estado é inevitável? O maldito. A memória é o futuro do homem? Inspirador. Estamos perdendo a razão? A razão em marcha? Somos dignos de ser livres? A inocência perdida. Podemos fugir as nossas responsabilidades? Tribunal. A ciência sem consciência está condenada? Arborescência em zigue-zague. Toda verdade é ilusória? O pragmético. Deus, das almas ou das armas. Deus, o que fazer com este Ser? Dar-lhe a máscara do ente. Desde quando o progresso ficou louco? O moderno deve compreender o mal? Crer. A incerteza é a única certeza? O mundo dos possíveis. Existe vida após a morte? Cicuta. História tem sentido? O céu das Idéias.
Grandes indagações filosóficas
A natureza é uma obra de arte? A revelação da unidade. Em face do consenso, a salvação passa por uma revolução? O cão. O amor é falta ou plenitude? A felicidade é nosso único objetivo? Haha, vida, o passeio perfeito. O Estado é inevitável? O maldito. A memória é o futuro do homem? Inspirador. Estamos perdendo a razão? A razão em marcha? Somos dignos de ser livres? A inocência perdida. Podemos fugir as nossas responsabilidades? Tribunal. A ciência sem consciência está condenada? Arborescência em zigue-zague. Toda verdade é ilusória? O pragmético. Deus, das almas ou das armas. Deus, o que fazer com este Ser? Dar-lhe a máscara do ente. Desde quando o progresso ficou louco? O moderno deve compreender o mal? Crer. A incerteza é a única certeza? O mundo dos possíveis. Existe vida após a morte? Cicuta. História tem sentido? O céu das Idéias.
среда, март 16
Pedabobia
A construção do nada. Que belo assunto! Cada um vai construir seu próprio nada durante todo o semestre.Sublime tarefa: Vamos escolher o conteúdo do nada, os princípios e fundamentos do nada. Hahahaha. vamos desenvolver a capacidade de análise crítica do nada: vamos nos localizar diante do nada, e qualificar o nada no qual estamos inseridos.Estaremos então finalmente aptos a transmitir didaticamente correto o nada.
E então, (professorinha sorridente adestrada no discurso do gerundio sem fim):" é isso que eu tava querendo estar apresentando pra vcs:
o nada,
nadificando,
nadando."
A construção do nada. Que belo assunto! Cada um vai construir seu próprio nada durante todo o semestre.Sublime tarefa: Vamos escolher o conteúdo do nada, os princípios e fundamentos do nada. Hahahaha. vamos desenvolver a capacidade de análise crítica do nada: vamos nos localizar diante do nada, e qualificar o nada no qual estamos inseridos.Estaremos então finalmente aptos a transmitir didaticamente correto o nada.
E então, (professorinha sorridente adestrada no discurso do gerundio sem fim):" é isso que eu tava querendo estar apresentando pra vcs:
o nada,
nadificando,
nadando."
недеља, март 13
O Sonho Febril da Realidade
A verdade acerca do mundo, disse ele, é que tudo é possível. Não fosse o caso de vocês se terem habituado desde a nascença a ver tudo aquilo que vos rodeia, esvaziando assim as coisas da sua estranheza, e a realidade surgiria aos vossos olhos tal como é, um truque de magia num número de ilusionismo, um sonho febril, um transe povoado de quimeras sem analogia nem precedente imaginável, um carnaval itinerante, um espectáculo de feira migratório cujo derradeiro destino, depois de montar a tenda tantas e tantas vezes em tantos baldios enlameados, é tão indescritível e calamitoso que o espírito humano não consegue sequer concebê-lo.
O universo não é uma coisa limitada e a ordem que o rege não tem peias que, tolhendo-lhe os desígnios, a forcem a repetir noutro lugar qualquer o que já existe num dado lugar. Mesmo neste mundo, existem mais coisas que escapam ao nosso conhecimento do que aquelas que conhecemos e a ordem que os nossos olhos vêem na criação é a ordem que nós lá pusemos, qual fio num labirinto, para não nos perdermos. É que a existência tem a sua própria ordem e essa nenhum espírito humano consegue abarcar, sendo esse espírito apenas mais um facto entre tantos outros.
Cormac McCarthy, in 'Meridiano de Sangue'
A verdade acerca do mundo, disse ele, é que tudo é possível. Não fosse o caso de vocês se terem habituado desde a nascença a ver tudo aquilo que vos rodeia, esvaziando assim as coisas da sua estranheza, e a realidade surgiria aos vossos olhos tal como é, um truque de magia num número de ilusionismo, um sonho febril, um transe povoado de quimeras sem analogia nem precedente imaginável, um carnaval itinerante, um espectáculo de feira migratório cujo derradeiro destino, depois de montar a tenda tantas e tantas vezes em tantos baldios enlameados, é tão indescritível e calamitoso que o espírito humano não consegue sequer concebê-lo.
O universo não é uma coisa limitada e a ordem que o rege não tem peias que, tolhendo-lhe os desígnios, a forcem a repetir noutro lugar qualquer o que já existe num dado lugar. Mesmo neste mundo, existem mais coisas que escapam ao nosso conhecimento do que aquelas que conhecemos e a ordem que os nossos olhos vêem na criação é a ordem que nós lá pusemos, qual fio num labirinto, para não nos perdermos. É que a existência tem a sua própria ordem e essa nenhum espírito humano consegue abarcar, sendo esse espírito apenas mais um facto entre tantos outros.
Cormac McCarthy, in 'Meridiano de Sangue'
Para exprimir espremo-me.
Há um ano, muito neste caderno.
Miro-me. O que vejo não sei. Me desencontro. O que encontro, falta. Nada coincide em meu querer. Mas quero tanto...No fundo, perco o que procuro todos os dias. Destino de quem é somente desejo é viver apenas as extremidades da vida. Transfiguro, oscilo,desperdiço, derramo deslumbre e erros por caminhos que invento-percorro. Negocio com as exigências brutas da vida. Tento delas deleite, tentações, chateações: Vida.
Tanta coisa mudou.E no entanto, nada.
POr que escrevo? por que?
"Escrever é também não falar. É calar-se. É gritar sem ruído."
Marguerite Duras
Há um ano, muito neste caderno.
Miro-me. O que vejo não sei. Me desencontro. O que encontro, falta. Nada coincide em meu querer. Mas quero tanto...No fundo, perco o que procuro todos os dias. Destino de quem é somente desejo é viver apenas as extremidades da vida. Transfiguro, oscilo,desperdiço, derramo deslumbre e erros por caminhos que invento-percorro. Negocio com as exigências brutas da vida. Tento delas deleite, tentações, chateações: Vida.
Tanta coisa mudou.E no entanto, nada.
POr que escrevo? por que?
"Escrever é também não falar. É calar-se. É gritar sem ruído."
Marguerite Duras
петак, март 11
Uma abelha pousou em meu vinho. Rodeou as bordas por algum tempo. Gesteou com as asas. Deixou seu cheiro que a mim pareciam flores. Fez carinho em meu dedo e partiu. Plainou rodopiante e tudo o que eu desejava era que pousasse em minha boca. Mas parecia embriagada e em círculos se despediu. Me entristeceu que mesmo na embriagues minha boca não cheirasse flores para ela.
1 ano de idas e vindas
1 ano de idas e vindas
понедељак, март 7
A gente descobre e vive com a alegria de quem trombou ao acaso com um livro ou uma pessoa fantástica.
Outro dia trombei com Adélia Prado num sebo. Achei tão bom que dei de presente.
Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente,
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Adélia Prado
Outro dia trombei com Adélia Prado num sebo. Achei tão bom que dei de presente.
Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente,
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Adélia Prado
недеља, март 6
Sofro de naúsea imaterial.
Antevejo a desilusão. Respiro o fracasso da nossa espécie. Invento vidas para despertar botões. Desfiguro-me. Exalto-me. Despedaço. Me escondo atrás do que não vivi.Tropeço em pedras inquietas indecisas, inexistentes. COnstrui ruínas pelas quais rastejo, e sem pressa, faço com que não percebam que a rua sem saída é na verdade uma bela alameda. Ainda que seja raso e mediocre, visto-me de abismo obscuro e viscoso. Um poço de falsas reflexões e meias verdades.
Não se trata de uma falha de caráter, mas de um sentido intelectual-estético. Apenas uso certas máscaras. E não outras. Não vejo grande distancia entre ser esse postiço ou outro postiço qualquer. Traio-me ao trair. Desapareço ao sentir.
Se me crio é por que me desconheço.Se te crio, é por que pertenço-te.
Antevejo a desilusão. Respiro o fracasso da nossa espécie. Invento vidas para despertar botões. Desfiguro-me. Exalto-me. Despedaço. Me escondo atrás do que não vivi.Tropeço em pedras inquietas indecisas, inexistentes. COnstrui ruínas pelas quais rastejo, e sem pressa, faço com que não percebam que a rua sem saída é na verdade uma bela alameda. Ainda que seja raso e mediocre, visto-me de abismo obscuro e viscoso. Um poço de falsas reflexões e meias verdades.
Não se trata de uma falha de caráter, mas de um sentido intelectual-estético. Apenas uso certas máscaras. E não outras. Não vejo grande distancia entre ser esse postiço ou outro postiço qualquer. Traio-me ao trair. Desapareço ao sentir.
Se me crio é por que me desconheço.Se te crio, é por que pertenço-te.
субота, март 5
четвртак, март 3
Respiro agora fora do tédio. carnaval de ações, bacanal de propósitos. Convulsão. eletricidade.
Dos momentos que respiro fora do tédio.
Não, eles não tem por quê. O impulso surge.Sublimimente meu. Tâo do acaso. Irrompe a inércia. Desloca limites.
Fortuna.
Despeço, da naúsea, da impotência, da ira.
Agora, sou deus.
só estou explosão, por que ja não tenho noção da realidade.
Dos momentos que respiro fora do tédio.
Não, eles não tem por quê. O impulso surge.Sublimimente meu. Tâo do acaso. Irrompe a inércia. Desloca limites.
Fortuna.
Despeço, da naúsea, da impotência, da ira.
Agora, sou deus.
só estou explosão, por que ja não tenho noção da realidade.
среда, март 2
PARA A FAE
O Hierofante
Não há possibilidade
De viver com essa gente
E nem com nenhuma gente
Nem com nenhuma gente
A desconfiança te cercará
Como um escudo
Pinte o escaravelho de vermelho
E tinge os rumos da madrugada
E tinge os rumos da madrugada
Irão de longe as multidões suspirosas
Escutar o bezerro plangente ti ti ti tiriri ririri
Tiriri ririri tiriri ririri tiriri ririri ri...
Lá lálálá lá lá... lá lálálá lá lá...
Lá lá lá lá lá lá lá...
Não há possibilidade
De viver com essa gente
E nem com nenhuma gente
Nem com nenhuma gente
A desconfiança te cercará
Como um escudo
Pinte o escaravelho de vermelho
O Hierofante
Não há possibilidade
De viver com essa gente
E nem com nenhuma gente
Nem com nenhuma gente
A desconfiança te cercará
Como um escudo
Pinte o escaravelho de vermelho
E tinge os rumos da madrugada
E tinge os rumos da madrugada
Irão de longe as multidões suspirosas
Escutar o bezerro plangente ti ti ti tiriri ririri
Tiriri ririri tiriri ririri tiriri ririri ri...
Lá lálálá lá lá... lá lálálá lá lá...
Lá lá lá lá lá lá lá...
Não há possibilidade
De viver com essa gente
E nem com nenhuma gente
Nem com nenhuma gente
A desconfiança te cercará
Como um escudo
Pinte o escaravelho de vermelho
понедељак, фебруар 28
Dor não é amargura.
A existência me dói, por que não me basto. Consequência de ser descontínuo.
Desconforto que acaricio com cuidado. Ignorando a dor, os deuses não podem, pois, ter prazer.
Sou humana?
Aquele a quem os pensamentos não atormentam, alegra-se com o levantar pela manhã e com o comer e o beber, acha que é o suficiente e não quer outra coisa.Eu quero mais. Quero o prazer.
A existência me dói, por que não me basto. Consequência de ser descontínuo.
Desconforto que acaricio com cuidado. Ignorando a dor, os deuses não podem, pois, ter prazer.
Sou humana?
Aquele a quem os pensamentos não atormentam, alegra-se com o levantar pela manhã e com o comer e o beber, acha que é o suficiente e não quer outra coisa.Eu quero mais. Quero o prazer.
петак, фебруар 25
CANTINA MESSENGER:
(Aline, Bruno, Carol)
Amanhã dominaremos o mundo!
E assim sendo por nosso desejo, proclamaremos muita poesia e cachaça; amor? amor é bom, mas ele pode ser vago? vago, mas tem vaga! esperança de amor então... proponho que levemos sonho e imaginação. proponho que o sonho nos leve... e agente vai distribuindo cheiro de amor por ai. não se pode conquistar o mundo sem isso! isso, suemos amor! – somos tão hippies – eh! paz e amor se desgastaram com o tempo... – neste momento nos exaltamos – mando que todos fiquem embriagados uma vez ao dia! E que todos os dias se beijem as pessoas... todas que passarem pela frente! exijo meia hora de tristeza diária... não mais, nem menos. essa é a idéia! e que por um momento, a gente pense na angustia do outro...pode ser semanal esta... semanal eu apóio. proclamarei que todas as pessoas sejam gente! defina melhor... gente. se definisse seriam máquinas. decreto que, assim que o termômetro marcar 35 graus, é feriado. amplamente apoiado!!! amanhã... amanhã...
(Aline, Bruno, Carol)
Amanhã dominaremos o mundo!
E assim sendo por nosso desejo, proclamaremos muita poesia e cachaça; amor? amor é bom, mas ele pode ser vago? vago, mas tem vaga! esperança de amor então... proponho que levemos sonho e imaginação. proponho que o sonho nos leve... e agente vai distribuindo cheiro de amor por ai. não se pode conquistar o mundo sem isso! isso, suemos amor! – somos tão hippies – eh! paz e amor se desgastaram com o tempo... – neste momento nos exaltamos – mando que todos fiquem embriagados uma vez ao dia! E que todos os dias se beijem as pessoas... todas que passarem pela frente! exijo meia hora de tristeza diária... não mais, nem menos. essa é a idéia! e que por um momento, a gente pense na angustia do outro...pode ser semanal esta... semanal eu apóio. proclamarei que todas as pessoas sejam gente! defina melhor... gente. se definisse seriam máquinas. decreto que, assim que o termômetro marcar 35 graus, é feriado. amplamente apoiado!!! amanhã... amanhã...
среда, фебруар 23
Vinícius disse, tomando um gole de uísque:
- É curioso, a alegria é um sentimento, uma atmosfera de vida, nada criadora. Eu só sei criar na dor e na tristeza, mesmo que as coisas que resultem sejam alegres. Não me considero uma pessoa negativa, quer dizer, eu não deprimo o ser humano. É por isso que acho que estou vivendo num momento de equilíbrio infecundo do qual estou tentando me libertar. O paradigma máximo para mim seria: a calma no seio da paixão. Mas realmente não sei se é um ideal humanamente atingível.
Acontece que detesto tudo o que oprime o homem, inclusive a gravata.
Eu desejaria alcançar outra coisa.Isso de calma no seio da paixão. Mas desejaria alcançar uma tal capacidade de amar que me pudesse fazer útil aos meus semelhantes.
(...)
Meu poema é em duas linhas: você escreve uma palavra em cima e outra embaixo porque é um verso.
É assim:
Clarice
Lispector
Se a felicidade existe, eu só sou feliz enquanto me queimo e quando a pessoa se queima não é feliz. A própria felicidade é dolorosa.
http://www.geocities.com/Paris/Concorde/9366/entrevistas/vinicius.htm
- É curioso, a alegria é um sentimento, uma atmosfera de vida, nada criadora. Eu só sei criar na dor e na tristeza, mesmo que as coisas que resultem sejam alegres. Não me considero uma pessoa negativa, quer dizer, eu não deprimo o ser humano. É por isso que acho que estou vivendo num momento de equilíbrio infecundo do qual estou tentando me libertar. O paradigma máximo para mim seria: a calma no seio da paixão. Mas realmente não sei se é um ideal humanamente atingível.
Acontece que detesto tudo o que oprime o homem, inclusive a gravata.
Eu desejaria alcançar outra coisa.Isso de calma no seio da paixão. Mas desejaria alcançar uma tal capacidade de amar que me pudesse fazer útil aos meus semelhantes.
(...)
Meu poema é em duas linhas: você escreve uma palavra em cima e outra embaixo porque é um verso.
É assim:
Clarice
Lispector
Se a felicidade existe, eu só sou feliz enquanto me queimo e quando a pessoa se queima não é feliz. A própria felicidade é dolorosa.
http://www.geocities.com/Paris/Concorde/9366/entrevistas/vinicius.htm
недеља, фебруар 20
VERBO SER
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
Carlos Drummond de Andrade
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
Carlos Drummond de Andrade
Ame-me e deixe-me. Faça com que eu te ame e me abandone.
É necessário que eu perca.
Me traia.
Arrase-me.É por distração, descuido, desonestidade, que mereço.
Não tenho grandes ousadias.
sou um amontoados de hesitações impetuosas. Que rasgam as dimensões de mim.
Sofrer seria apenas não estar onde estou. Sentir algo que não seja o gosto do nada.
Não sei por que tenho as vezes tenho tais ridiculos rompantes.
Não os creio, se os leio.
São sombras futéis do nada que quero.
A mágoa dos outros não me comove.
Não me move a ser diferente. Nem a ser, a bem da verdade.
É necessário que eu perca.
Me traia.
Arrase-me.É por distração, descuido, desonestidade, que mereço.
Não tenho grandes ousadias.
sou um amontoados de hesitações impetuosas. Que rasgam as dimensões de mim.
Sofrer seria apenas não estar onde estou. Sentir algo que não seja o gosto do nada.
Não sei por que tenho as vezes tenho tais ridiculos rompantes.
Não os creio, se os leio.
São sombras futéis do nada que quero.
A mágoa dos outros não me comove.
Não me move a ser diferente. Nem a ser, a bem da verdade.
петак, фебруар 18
среда, фебруар 16
недеља, фебруар 13
Ia eu sempre.
Há um estado de coisas no qual o corpo cansado só quer aconchego.
Há muitas formas de romper o tédio. E muitas outras de se quebrar corações. No fim, serão apenas mentiras, ou um complexo sistema de sentimentos entranhados entre si, que a tudo desfiguram e nos impede a fixação? Podemos despejar em cada beijo a mesma medida e ao mesmo tempo mante-la devidamente desigual?
Eu vou sempre. Nunca só. Sempre só.
Há um estado de coisas no qual o corpo cansado só quer aconchego.
Há muitas formas de romper o tédio. E muitas outras de se quebrar corações. No fim, serão apenas mentiras, ou um complexo sistema de sentimentos entranhados entre si, que a tudo desfiguram e nos impede a fixação? Podemos despejar em cada beijo a mesma medida e ao mesmo tempo mante-la devidamente desigual?
Eu vou sempre. Nunca só. Sempre só.
четвртак, фебруар 10
Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.
Clarice Lispector
Clarice Lispector
CACHAÇA
(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)
Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão
Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça
(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)
Você pensa que cachaça é água
Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão
Pode me faltar tudo na vida
Arroz feijão e pão
Pode me faltar manteiga
E tudo mais não faz falta não
Pode me faltar o amor
Há, há, há, há!
Isto até acho graça
Só não quero que me falte
A danada da cachaça
четвртак, јануар 27
Fiz um inventário desloucado das minhas vivências.ou será apenas um projeto, projétil...
descobri algumas coisas, em frestas, coisas inacreditáveis. Tempo passado é coisa estranha, independente. Contar coisas é uma busca narcisa por intertícios coloridos e inexistentes. Não diferencia, em propósito, de um novo verso que conjuga um desejo intenso, uma sedução vil, um flerte desatento, com um medo profundo, uma vontade de absoluto, um poder universal.
No fim, da noite, do pó, do corpo, do papo, do jogo, resta um indício claro: escuto o dono do bar que ouviu por toda noite toda aquela vida fragmentada: " ninguém sabe o que veio fazer nesse mundo".
E volto, não durmo, sonho sequênciais.Um pesadelo me liberta.
Entretanto, quando no espelho a gente vê múltiplos sustenidos níveis, é impossível haver paz.
descobri algumas coisas, em frestas, coisas inacreditáveis. Tempo passado é coisa estranha, independente. Contar coisas é uma busca narcisa por intertícios coloridos e inexistentes. Não diferencia, em propósito, de um novo verso que conjuga um desejo intenso, uma sedução vil, um flerte desatento, com um medo profundo, uma vontade de absoluto, um poder universal.
No fim, da noite, do pó, do corpo, do papo, do jogo, resta um indício claro: escuto o dono do bar que ouviu por toda noite toda aquela vida fragmentada: " ninguém sabe o que veio fazer nesse mundo".
E volto, não durmo, sonho sequênciais.Um pesadelo me liberta.
Entretanto, quando no espelho a gente vê múltiplos sustenidos níveis, é impossível haver paz.
среда, јануар 19
Volto. Substituo uma vadiagem por outra.Pouso minha carga e observo o espetáculo do mundo.
Ah
...a banal satisfação de uma necessidade!
Sentei numa praça e encontrei mais do que silêncio.
Vozes de distintas solidões me povoaram até em casa.
Tão tarde já.
Há uma inexatidão na falta do que fazer que a torna bela, e portadora de paz.
Ah
...a banal satisfação de uma necessidade!
Sentei numa praça e encontrei mais do que silêncio.
Vozes de distintas solidões me povoaram até em casa.
Tão tarde já.
Há uma inexatidão na falta do que fazer que a torna bela, e portadora de paz.
Janelas Abertas Nº2
Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer correndo os corredores em silêncio
Perder as paredes
aparentes do edifício
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos
Dentro do apartamento
Sim eu poderia
procurar por dentro a casa
Cruzar uma por uma as sete portas,
as sete moradas
Na sala receber o beijo frio em
minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto,
fêmea de língua gelada Língua gelada como nada
Sim,
eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada uma matar um membro da família
Até que a plenitude ea
morte coincidissem um dia
O que aconteceria de qualquer jeito
Mas eu prefiro abrir as janelas
pra que
entrem todos os insetos.
Sim, eu poderia abrir as portas que dão pra dentro
Percorrer correndo os corredores em silêncio
Perder as paredes
aparentes do edifício
Penetrar no labirinto
O labirinto de labirintos
Dentro do apartamento
Sim eu poderia
procurar por dentro a casa
Cruzar uma por uma as sete portas,
as sete moradas
Na sala receber o beijo frio em
minha boca
Beijo de uma deusa morta
Deus morto,
fêmea de língua gelada Língua gelada como nada
Sim,
eu poderia em cada quarto rever a mobília
Em cada uma matar um membro da família
Até que a plenitude ea
morte coincidissem um dia
O que aconteceria de qualquer jeito
Mas eu prefiro abrir as janelas
pra que
entrem todos os insetos.
четвртак, јануар 13
Tenho andado em apuros. O amor à fulgacidade me roubou toda diversão. Agora sobrevivo a cada patético momento.
Tem sido impossível deixar-me.
Depois de me partir em mil pedaços na fuga do tédio, eis que estou de frente pra ele.
Meus movimentos são tão leves, que se tornaram insignificantes,
E não, não estou triste por isso.
Aboli palavras que celebram profundidade e peso. Me desfaço no ar, antes que que seja esmagada pela vida.
Tem sido impossível deixar-me.
Depois de me partir em mil pedaços na fuga do tédio, eis que estou de frente pra ele.
Meus movimentos são tão leves, que se tornaram insignificantes,
E não, não estou triste por isso.
Aboli palavras que celebram profundidade e peso. Me desfaço no ar, antes que que seja esmagada pela vida.
среда, јануар 5
"Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento."
Clarice lispector
Clarice lispector
недеља, јануар 2
Alfred jarry :-Quando deixará de ser necessário lembrar que os anti-alcoólicos são doentes ameaçados por esse veneno, a água, tão dissolvente e corrosivo que o escolheram, de entre todas as substâncias, para as abluções e as barrelas ?
Baudelaire:-O homem que só bebe água tem algum segredo que pretende ocultar dos seus semelhantes.
-Pois bem, diz Victor Hugo:
- Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.
( para as últimas semanas: um viva a embriaguês!)
Baudelaire:-O homem que só bebe água tem algum segredo que pretende ocultar dos seus semelhantes.
-Pois bem, diz Victor Hugo:
- Comer é uma necessidade do estômago; beber é uma necessidade da alma.
( para as últimas semanas: um viva a embriaguês!)
Minha voz sai em busca do meus olhos não conseguem alcançar,
Com uma virada da língua açambarco mundos e volumes de mundos.
O discurso é gêmeo de minha visão... é inconstante para poder se medir.
Está sempre me provocando,
Diz com sarcasmo, Walt, você já compreende o suficiente... por que então
Não bota tudo pra fora ?
Ora, vamos, não vou ser atormentado... você concebe articulações demais.
..................................................................
O dito e o escrito não provam quem sou,
Traga a plena prova e todo o resto em meu rosto,
Com meus lábios calados confundo o maior dos céticos.
Walt Whitman
Com uma virada da língua açambarco mundos e volumes de mundos.
O discurso é gêmeo de minha visão... é inconstante para poder se medir.
Está sempre me provocando,
Diz com sarcasmo, Walt, você já compreende o suficiente... por que então
Não bota tudo pra fora ?
Ora, vamos, não vou ser atormentado... você concebe articulações demais.
..................................................................
O dito e o escrito não provam quem sou,
Traga a plena prova e todo o resto em meu rosto,
Com meus lábios calados confundo o maior dos céticos.
Walt Whitman
уторак, децембар 28
saudades das gerais.
um beijo.
volto já.
e para o ano novo, desejo.
Desejos
Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
cda.
um beijo.
volto já.
e para o ano novo, desejo.
Desejos
Desejo a você
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não Ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
cda.
Esta é uma das melhores semanas do ano.NAda se compara as possibilidades que ela carrega. Andar nas ruas por esses dias é quase pescar aindas potencialmente repletos.Não importa a perpectiva: Um ano ainda não começou ( dá tempo, dá tempo...), o outro não terminou (haverá tempo...)o tempo do ainda se dá aos ansiosos e aos nostalgicos, aos céticos e aos utópicos.
Tempo de sair com roupas esvoaçantes e aproveitar o vento e os olhares que me cercam. Descobrir que sair a noite sem lente traz de presente várias luas, cheias e sobrepostas, formando uma enorme rosa branca contornada de azul.
Tantos beijos adormecidos...
Quantas levezas insustentáveis... e deliciosas.
Tantos sonhos. Embriagados. improváveis.Perfumados.Intensos. Coloridos. Agudos. Enfeitiçados.Transbordantes. Safados. Ingênuos.
O passar dos anos já não provoca medo. Não tem sentido. São vapores.Esplêndido espetáculo. beleza e horror.
Tempo de sair com roupas esvoaçantes e aproveitar o vento e os olhares que me cercam. Descobrir que sair a noite sem lente traz de presente várias luas, cheias e sobrepostas, formando uma enorme rosa branca contornada de azul.
Tantos beijos adormecidos...
Quantas levezas insustentáveis... e deliciosas.
Tantos sonhos. Embriagados. improváveis.Perfumados.Intensos. Coloridos. Agudos. Enfeitiçados.Transbordantes. Safados. Ingênuos.
O passar dos anos já não provoca medo. Não tem sentido. São vapores.Esplêndido espetáculo. beleza e horror.
петак, децембар 24
Jorge sentou praça na cavalaria
eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham maõs e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcacem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejao
E nem mesmo o pensamento eles possam ter para me fazeram mal
Armas de fogomeu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e corentes se arrebentem sem o meu corpo amarrar pois eu estou vestido com as roupas e as armas de jorge
Jorge é de capadócia.
amor que protege, para o ano todo.
eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham maõs e não me toquem
Para que meus inimigos tenham pés e não me alcacem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejao
E nem mesmo o pensamento eles possam ter para me fazeram mal
Armas de fogomeu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar
Cordas e corentes se arrebentem sem o meu corpo amarrar pois eu estou vestido com as roupas e as armas de jorge
Jorge é de capadócia.
amor que protege, para o ano todo.
уторак, децембар 21
понедељак, децембар 20
Eu sei, vida vivida causa feridas no estômago.Embora, de vez enquanto, a gente seja premiado na vida com certos encantos.
Fim de semana que merece deixar um rastro:
Sexta:Salmão com ervas e salada de camarão. Penny com tomate seco e queijo. Poesia música cerveja e amigos. um luxo!
Sábado: despedida, os italianos se vão...fica gosto estranho, de coisa que ficou por ser...
depois... Comprar aleatórios,subir as escadas de um puteiro e dançar, inquieta, na chuva.
Um sorriso, de tão maduro, quase me fez cair.
(...)
Há uma falta além das de sempre, um rasgo que tem nome. Ao que parece, se torna apenas mais um.
Domingo: tradições e modernidades acelerações e contrações e o último trabalho, último empecilho que me separa das férias. Alguma angústia.
Amanhã sai o resultado da bolsa.Ai.
NAda importa. Here comes The Sun. Os escravos da alegria trocam dinheiro por paixão.it´s all right.
Fim de semana que merece deixar um rastro:
Sexta:Salmão com ervas e salada de camarão. Penny com tomate seco e queijo. Poesia música cerveja e amigos. um luxo!
Sábado: despedida, os italianos se vão...fica gosto estranho, de coisa que ficou por ser...
depois... Comprar aleatórios,subir as escadas de um puteiro e dançar, inquieta, na chuva.
Um sorriso, de tão maduro, quase me fez cair.
(...)
Há uma falta além das de sempre, um rasgo que tem nome. Ao que parece, se torna apenas mais um.
Domingo: tradições e modernidades acelerações e contrações e o último trabalho, último empecilho que me separa das férias. Alguma angústia.
Amanhã sai o resultado da bolsa.Ai.
NAda importa. Here comes The Sun. Os escravos da alegria trocam dinheiro por paixão.it´s all right.
петак, децембар 17
среда, децембар 15
"O cacto é cheio de raiva com os dedos todos retorcidos e é impossível acarinhá-lo. Ele te odeia em cada espinho espetado porque dói-lhe no corpo esse mesmo espinho cuja primeira espetada foi na sua própria grossa carne. Mas pode-se cortá-lo em pedaços e chupar-lhe a áspera seiva: leite de mãe severa."
Ela, sempre. Clarice.
PS: Os últimos dias dias tem sido emocionalmente exaustivos. Beijo com gosto de capucino italiano. certeza intranquila de dever cumprido. Incertezas e pressões.Em mim.No reflexo. Muita cerveja. Pouco dinheiro. Face escura reativada.Explosão. Explosão. Silêncio e comida chinesa. Mais silêncio. As chuvas de fim de ano fazem a gente pensar que tudo podia ser pior.
Ela, sempre. Clarice.
PS: Os últimos dias dias tem sido emocionalmente exaustivos. Beijo com gosto de capucino italiano. certeza intranquila de dever cumprido. Incertezas e pressões.Em mim.No reflexo. Muita cerveja. Pouco dinheiro. Face escura reativada.Explosão. Explosão. Silêncio e comida chinesa. Mais silêncio. As chuvas de fim de ano fazem a gente pensar que tudo podia ser pior.
уторак, децембар 14
então?
por enumeração?
:
.: hoje me veio um cheirinho de pão de queijo lá de buenos aires.
..: estou euforicamente exausta. sabem como? pois.
...:última semana de aula. - !!! ótimo, não?
....:estamos próximos do natal, ano novo, janeiro!
......: estou escrevendo porque estou com saudade.
........: disco do amelie poulin faz muito bem.
.........:já tá. não adianta. o grito não cala.
um beijo em cada um.
por enumeração?
:
.: hoje me veio um cheirinho de pão de queijo lá de buenos aires.
..: estou euforicamente exausta. sabem como? pois.
...:última semana de aula. - !!! ótimo, não?
....:estamos próximos do natal, ano novo, janeiro!
......: estou escrevendo porque estou com saudade.
........: disco do amelie poulin faz muito bem.
.........:já tá. não adianta. o grito não cala.
um beijo em cada um.
понедељак, децембар 13
(estava andando pela cidade quase-morta.
luminosidades
sem-saída e sem-entradas.
vendo como a chuva reflete o belo sobre o feio.
buscando entender a razão de todas as coisas em uma só, num iuntervalo,
senti meus pés arrastando, por debaixo, o asfalto suado
e meus ouvidos me surdando)
Walk -- in silence
Don't walk away -- in silence
See the danger -- always danger
Endless talking -- life rebuilding
Don't walk away
Walk -- in silence
Don't turn away -- in silence
Your confusion -- my illusion
Worn like a maskof self-hate
Confronts and then dies
Don't walk away
People like you -- find it easy
Aching to see -- walking on air
Hunting by rivers, through the streets,
every corner abandoned to soon
Set down with due care
Don't walk away -- in silence -- Don't walk away
luminosidades
sem-saída e sem-entradas.
vendo como a chuva reflete o belo sobre o feio.
buscando entender a razão de todas as coisas em uma só, num iuntervalo,
senti meus pés arrastando, por debaixo, o asfalto suado
e meus ouvidos me surdando)
Walk -- in silence
Don't walk away -- in silence
See the danger -- always danger
Endless talking -- life rebuilding
Don't walk away
Walk -- in silence
Don't turn away -- in silence
Your confusion -- my illusion
Worn like a maskof self-hate
Confronts and then dies
Don't walk away
People like you -- find it easy
Aching to see -- walking on air
Hunting by rivers, through the streets,
every corner abandoned to soon
Set down with due care
Don't walk away -- in silence -- Don't walk away
(Atmosphere, Ian Curtis)
недеља, децембар 12
Flor da idade
A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia
A porta dela não tem tramela
A janela é sem gelosia
Nem desconfia
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor
Na hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família
A armadilha
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha
Que maravilha
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua
A gente sua
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua
E continua
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa que amava Paulo
Que amava Juca que amava Dora que amava Carlos que amava Dora
Que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava Dito que amava Rita que amava
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto que amava
a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda a quadrilha
Chico Buarque/1973
Para o filme Vai trabalhar vagabundo e para a peça Gota d´água de Chico Buarque e Paulo Pontes
субота, децембар 11
недеља, децембар 5
Finalmente um domingo azulado. Embora o gosto em minha boca e o cheiro em minha roupa não permita que eu perceba o dito frescor da manhã. Apenas parece uma noite invertida. Do meu lugar, esta cadeira num bar imundo, vou permanecer. Uma mulher estranha tagarela me diz que os círculos concêntricos se dividem em bolhas de sabão. Me divirto pensando nas maneiras possíveis de fazê-la calar.
Tenho aprendido que venderia minhas roupas para beber.O chão de um sóbrio é impisável.
Coloco-me, entre dialogos com a escória que entra e sai ( pela qual sinto uma mistura suave de repulsa e gozo), questões verticais ao horizonte.
Tenho aprendido que venderia minhas roupas para beber.O chão de um sóbrio é impisável.
Coloco-me, entre dialogos com a escória que entra e sai ( pela qual sinto uma mistura suave de repulsa e gozo), questões verticais ao horizonte.
субота, децембар 4
ânsia de perplexidade
Dialogos de mutações vazias, desvelar vacilante, confuso, não sei se belo ou apenas estranho. Falas atordoadas. Deslocadas talvez. A minha intraquilidade não permite que eu durma. então embriago-me com as doçuras das vidas que não me pertencem, com seus desníveis e descompassos. Me permito brincar, me perseguir e nunca me encontrar.Tenho perguntas.Tenho raivas guardadas como presentes. Sensibilidade que escolhe e violenta.Acolhe, por vezes furiosamente.Olha, às vezes a gente não sabe por que faz o que tá fazendo.Desce cerveja.As coisas ficam muito misturadas quando o discurso é verossímel demais, mas pouco plausível ao se enunciar, assim, ali, como qualquer coisa que só por acaso acontece. Por que todas as coisas são acasos e os acasos com cara de acaso só usam uma máscara a mais.Verdades e mentiras prismas de um mesmo nada, percebo que tenho um tratamento estético para com elas.
E então, fechamos os olhos e voamos. Ou apenas olhamos em volta e percebemos que não há nada de especial nisso.
"Há uma dura luta de coisas que apesar de corroídas se mantém de pé, e nas cores mais densas há uma lividez daquilo que mesmo torto está de pé." Clarice Lispector
Dialogos de mutações vazias, desvelar vacilante, confuso, não sei se belo ou apenas estranho. Falas atordoadas. Deslocadas talvez. A minha intraquilidade não permite que eu durma. então embriago-me com as doçuras das vidas que não me pertencem, com seus desníveis e descompassos. Me permito brincar, me perseguir e nunca me encontrar.Tenho perguntas.Tenho raivas guardadas como presentes. Sensibilidade que escolhe e violenta.Acolhe, por vezes furiosamente.Olha, às vezes a gente não sabe por que faz o que tá fazendo.Desce cerveja.As coisas ficam muito misturadas quando o discurso é verossímel demais, mas pouco plausível ao se enunciar, assim, ali, como qualquer coisa que só por acaso acontece. Por que todas as coisas são acasos e os acasos com cara de acaso só usam uma máscara a mais.Verdades e mentiras prismas de um mesmo nada, percebo que tenho um tratamento estético para com elas.
E então, fechamos os olhos e voamos. Ou apenas olhamos em volta e percebemos que não há nada de especial nisso.
"Há uma dura luta de coisas que apesar de corroídas se mantém de pé, e nas cores mais densas há uma lividez daquilo que mesmo torto está de pé." Clarice Lispector
четвртак, децембар 2
DANÇA COMIGO?
Choro
não sei por quê
e nem quero entender.
(Estranhamente não é dor.)
A lágrima de sentimento novo
não tem motivo
mas lava
e leva
alguma imperceptível máscara
que ainda me pesava.
Há cada vez mais vida em minha vida
simples
onde havia a busca estagnada
da inatingível perfeição.
Fabio Rocha
Choro
não sei por quê
e nem quero entender.
(Estranhamente não é dor.)
A lágrima de sentimento novo
não tem motivo
mas lava
e leva
alguma imperceptível máscara
que ainda me pesava.
Há cada vez mais vida em minha vida
simples
onde havia a busca estagnada
da inatingível perfeição.
Fabio Rocha
среда, децембар 1
"Não me assente o senhor por beócio. Uma coisa é por idéias arranjadas, outra é lidar com país de pessoas, de carne e sangue, de mil-e-tantas misérias... Tanta gente - dá susto se saber - e nenhum se sossega: todos nascendo, crescendo, se casando, querendo colocação de emprego, comida, saúde, riqueza, ser importante, querendo chuva e bons negócios... De sorte que carece de se escolher:ou a gente se tece de viver no safado comum, ou cuida só de religião só"
Guimarães Rosa
Guimarães Rosa
недеља, новембар 28
Escrevo num caderno velho que achei no meio fio. Vivo também uma vida achada entre as outras que poderia viver. Da mesma forma que ninguém me lê, ninguém me assiste. E isso garante a perpetuação de uma pretensa harmonia universal.
E se o trágico é tão odioso quanto fascinante, por que não disfarça-lo... Assim conferimos algumas raízes pr´aquilo que só tem contigência. Cativar e ser cativado é apenas contruir máscaras, para suportar o insuportável.
Há uma imensa sede que sacio com o sangue dos viandantes que observo, à distância. Deleite triste como essa manhã cinza, e todos os sonhos realizáveis em meditações abstratas e danças à sós, apenas.
E se o trágico é tão odioso quanto fascinante, por que não disfarça-lo... Assim conferimos algumas raízes pr´aquilo que só tem contigência. Cativar e ser cativado é apenas contruir máscaras, para suportar o insuportável.
Há uma imensa sede que sacio com o sangue dos viandantes que observo, à distância. Deleite triste como essa manhã cinza, e todos os sonhos realizáveis em meditações abstratas e danças à sós, apenas.
четвртак, новембар 25
Vida: Descartes pela manhã, apenas uma certeza crua. Algum rodar, alguma perda, coisa que a gente não vê. Depois, Comer compartilhando sorriso e espera e amizade: profunda, explosiva,linda. Livros, livros, e avontade de te-los. Mais tarde: carinho ganhado:gramatologia de presente.E a pos modernidade e todos os sentidos e nenhum sentido. carinho inesperado, de todos os lados. cervejas e cervejas... tanta coisa. Beleza inesperada. Dança de todos os ritmos.
среда, новембар 24
Vai levando
Caetano Veloso - Chico Buarque
1975
Mesmo com toda a fama
Com toda a brahma
Com toda a cama
Com toda a lama
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama
Mesmo com todo o emblema
Todo o problema
Todo o sistema
Toda Ipanema
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema
Mesmo com o nada feito
Com a sala escura
Com um nó no peito
Com a cara dura
Não tem mais jeito
A gente não tem cura
Mesmo com o todavia
Com todo dia
Com todo ia
Todo não ia
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa guia
Caetano Veloso - Chico Buarque
1975
Mesmo com toda a fama
Com toda a brahma
Com toda a cama
Com toda a lama
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa chama
Mesmo com todo o emblema
Todo o problema
Todo o sistema
Toda Ipanema
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa gema
Mesmo com o nada feito
Com a sala escura
Com um nó no peito
Com a cara dura
Não tem mais jeito
A gente não tem cura
Mesmo com o todavia
Com todo dia
Com todo ia
Todo não ia
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando
A gente vai levando essa guia
уторак, новембар 23
понедељак, новембар 22
петак, новембар 19
среда, новембар 17
escuto novos baianos.
em portugal faz frio com sol. semana que vem, grau zero. hoje digo no trabalho que só fico por lá até o fim do mês. depois tem as provas finais do semestre, umas mil. tento fazer.
depois vou morar em avião. morar no ar, mor ar.
continuo escutando novos baianos.
de repente, um sentimento intenso diferente. hora de voltar. vamos por caminhos tortos, melhor ir pela curva. e chegar. voltar devagar. e abraçar. amar.
em portugal faz frio com sol. semana que vem, grau zero. hoje digo no trabalho que só fico por lá até o fim do mês. depois tem as provas finais do semestre, umas mil. tento fazer.
depois vou morar em avião. morar no ar, mor ar.
continuo escutando novos baianos.
de repente, um sentimento intenso diferente. hora de voltar. vamos por caminhos tortos, melhor ir pela curva. e chegar. voltar devagar. e abraçar. amar.
уторак, новембар 16
From the ice-age to the dole-age
There is but one concern
and I have just discovered:
Some girls are bigger than others
Some girls are bigger than others
Some girl's mothers are bigger than
Other girl's mothers
Some girls are bigger than others
Some girls are bigger than others
Some girl's mothers are bigger than
Other girl's mothers
As Anthony said to Cleopatra
As he opened a crate of ale (Oh, I say):
Some girls are bigger than others
Some girls are bigger than others
Some girl's mothers are bigger than
Other girl's mothers
Some girls are bigger than others
Some girls are bigger than others
Some girl's mothers are bigger than
Other girl's mothers
(Send me the pillow...
The one that you dream on...
Send me the pillow...
The one that you dream on...
And I'll send you mine.)
There is but one concern
and I have just discovered:
Some girls are bigger than others
Some girls are bigger than others
Some girl's mothers are bigger than
Other girl's mothers
Some girls are bigger than others
Some girls are bigger than others
Some girl's mothers are bigger than
Other girl's mothers
As Anthony said to Cleopatra
As he opened a crate of ale (Oh, I say):
Some girls are bigger than others
Some girls are bigger than others
Some girl's mothers are bigger than
Other girl's mothers
Some girls are bigger than others
Some girls are bigger than others
Some girl's mothers are bigger than
Other girl's mothers
(Send me the pillow...
The one that you dream on...
Send me the pillow...
The one that you dream on...
And I'll send you mine.)
(Morrisey)
Nu, tímido, selvagem se ocultava
O troglodita nas cavernas;
O nômade nos campos pervagava
A devastá-los sem cessar;
O caçador com sua lança e flechas.
Terrível, as florestas percorria;
Desgraça para os náufragos lançados
Pelas ondas naquela praia inóspita.
Das alturas do Olimpo, Ceres
Desce, à procura de Prosérpina,
Ao seu amor arrebatada;
A seus olhos o mundo é todo horror.
Nenhum asilo, nem mesmo oferendas
À deusa são apresentadas.
Aqui não se conhece culto aos deuses,
Nem templos há para adorá-los.
Os frutos do pomar, as uvas doces
Não alegram nenhum festim;
Só os restos das vítimas fumegam
Sobre as aras ensangüentadas.
E em vão de Ceres vaga o triste olhar;
Por toda parte avista o homem
Numa profunda humilhação.
(Dmítri Fiódorovitch)
O troglodita nas cavernas;
O nômade nos campos pervagava
A devastá-los sem cessar;
O caçador com sua lança e flechas.
Terrível, as florestas percorria;
Desgraça para os náufragos lançados
Pelas ondas naquela praia inóspita.
Das alturas do Olimpo, Ceres
Desce, à procura de Prosérpina,
Ao seu amor arrebatada;
A seus olhos o mundo é todo horror.
Nenhum asilo, nem mesmo oferendas
À deusa são apresentadas.
Aqui não se conhece culto aos deuses,
Nem templos há para adorá-los.
Os frutos do pomar, as uvas doces
Não alegram nenhum festim;
Só os restos das vítimas fumegam
Sobre as aras ensangüentadas.
E em vão de Ceres vaga o triste olhar;
Por toda parte avista o homem
Numa profunda humilhação.
(Dmítri Fiódorovitch)
понедељак, новембар 15
недеља, новембар 14
A noite de ontem me reservou o raro prazer de beber com uma mulher que me olhava nos olhos. Completamente despida. Despudorada, e quase vulgar na defesa infantil de seus valores insensatos. Algumas doses e ela me entreteram por toda uma madrugada.Tantos amores e amantes...
Pessoas cheias de verdades e lógicas carregam uma ingenuidade fresca. A deixei em casa, e ela me deixou um gosto agri-doce nos lábios.
MASCARADA
Você me conhece?
(Frase dos mascarados de antigamente)
- Você me conhece?
- Não conheço não.
- Ah, como fui bela!
Tive grandes olhos,
que a paixão dos homens
(estranha paixão!)
Fazia maiores...
Fazia infinitos.
Diz: não me conheces?
- Não conheço não.
- Se eu falava, um mundo
Irreal se abria
à tua visão!
Tu não me escutavas:
Perdido ficavas
Na noite sem fundo
Do que eu te dizia...
Era a minha fala
Canto e persuasão...
Pois não me conheces?
- Não conheço não.
- Choraste em meus braços
- Não me lembro não.
- Por mim quantas vezes
O sono perdeste
E ciúmes atrozes
Te despedaçaram!
Por mim quantas vezes
Quase tu mataste,
Quase te mataste,
Quase te mataram!
Agora me fitas
E não me conheces?
- Não conheço não.
Conheço que a vida
É sonho, ilusão.
Conheço que a vida,
A vida é traição.
Manuel Bandeira
Pessoas cheias de verdades e lógicas carregam uma ingenuidade fresca. A deixei em casa, e ela me deixou um gosto agri-doce nos lábios.
MASCARADA
Você me conhece?
(Frase dos mascarados de antigamente)
- Você me conhece?
- Não conheço não.
- Ah, como fui bela!
Tive grandes olhos,
que a paixão dos homens
(estranha paixão!)
Fazia maiores...
Fazia infinitos.
Diz: não me conheces?
- Não conheço não.
- Se eu falava, um mundo
Irreal se abria
à tua visão!
Tu não me escutavas:
Perdido ficavas
Na noite sem fundo
Do que eu te dizia...
Era a minha fala
Canto e persuasão...
Pois não me conheces?
- Não conheço não.
- Choraste em meus braços
- Não me lembro não.
- Por mim quantas vezes
O sono perdeste
E ciúmes atrozes
Te despedaçaram!
Por mim quantas vezes
Quase tu mataste,
Quase te mataste,
Quase te mataram!
Agora me fitas
E não me conheces?
- Não conheço não.
Conheço que a vida
É sonho, ilusão.
Conheço que a vida,
A vida é traição.
Manuel Bandeira
Negocio, eu e os outros, alguns pontos ( odiamos,todos, os domingos:poucas coisas são tão detestáveis, afinal). Clarice Lispector é a tangência. Vejamos:
-Se tudo existe é porque sou. Mas por que esse mal estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal estar. No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza. O que há então? Só sei que não quero a impostura. Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.
-Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: Quero é uma verdade inventada.
-Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
-Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.
-Se tudo existe é porque sou. Mas por que esse mal estar? É porque não estou vivendo do único modo que existe para cada um de se viver e nem sei qual é. Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há. Mas alguma coisa está errada e dá mal estar. No entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo. Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza. O que há então? Só sei que não quero a impostura. Recuso-me. Eu me aprofundei mas não acredito em mim porque meu pensamento é inventado.
-Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: Quero é uma verdade inventada.
-Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.
-Flores envenenadas na jarra. Roxas azuis, encarnadas, atapetam o ar. Que riqueza de hospital. Nunca vi mais belas e mais perigosas. É assim então o teu segredo. Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu.
четвртак, новембар 11
среда, новембар 10
Não sou deus. Apenas tenho uma pretensão à divindade. Escapo, com alguma destreza, a todo engajamentoe ultrapasso o outro enquanto toda situação. Antes que um objeto me roube o mundo, Atravesso o outro e armo uma fuga invisível de todo universo para mim. Provoco um deslizamento, melhor dito, o mundo parece que tem um escoadouro para o meio do meu ser, e esse liquido, ambíguo, escorre perpetuamente para dentro de mim, através desse orifício. Todo o outro, ainda que isso provoque-me um profundo fastío,deve ser vivido por mim para estar em meus olhos. Meu corpo, se movimento, é movimento em direção ao mundo e o mundo é um ponto de apoio, (débil) para meu corpo.
Ah...que se delineia no horizonte que vivencio...Um enorme teatro de bizarrices, circo de vários palcos, espetáculo do grotesco e absurdo sem-fim...
Efetivo é apenas o meu olhar para o mundo, porque senão, os olhares se quebrariam ao se cruzar.
Ah...que se delineia no horizonte que vivencio...Um enorme teatro de bizarrices, circo de vários palcos, espetáculo do grotesco e absurdo sem-fim...
Efetivo é apenas o meu olhar para o mundo, porque senão, os olhares se quebrariam ao se cruzar.
недеља, новембар 7
Não mais escrevo poesias
Agora sou ser do mundo
Risível, descartável, opcionalmente odiavel
Redundante papagaio
Terei de sofrer mais para saber o sofrimento que tenho
De viver mais para ser o que nunca quis
Ridicularizando-me nego qualquer possibilidade de progressão
Satisfaço-me em ser pequeno
Minha única função é definhar
E provar que meus sonhos são merda suja e delirante
Onde está o amor que tive?
Certamente no mesmo lugar do amor que tenho
Não há amor além do egoísmo
Não há porco maior que o enlameado de sonhos
Faço sofrer e tenho prazer
Torpe foi alguma esperança de ser homem
Estava certo o da mansargada
Nunca deixei de ser o eu pequeno
Que se embriagou de poeta
Que se elogiou de poesia
Antes não tê-la tido
Antes não ter esperança de volta
Antes ter sempre estado limpo
Mas agora não dá
É hora do lamento
Do saborear a amargura
De ser o feio
O burro
Saborear toda dor como real
E saber que nem mesmo a dor é real
Não há futuro em mim
Nem passado que me caiba
O outro é eterno inútil
Caco ridículo de um espelho sem imagem
Nada existe cheio
Abdico da poesia
Para de espontânea vontade
Ser o que nunca quis
Que eu deixe ódio
Sabendo que nem ele perdurará mais que um pensamento
Agora sou ser do mundo
Risível, descartável, opcionalmente odiavel
Redundante papagaio
Terei de sofrer mais para saber o sofrimento que tenho
De viver mais para ser o que nunca quis
Ridicularizando-me nego qualquer possibilidade de progressão
Satisfaço-me em ser pequeno
Minha única função é definhar
E provar que meus sonhos são merda suja e delirante
Onde está o amor que tive?
Certamente no mesmo lugar do amor que tenho
Não há amor além do egoísmo
Não há porco maior que o enlameado de sonhos
Faço sofrer e tenho prazer
Torpe foi alguma esperança de ser homem
Estava certo o da mansargada
Nunca deixei de ser o eu pequeno
Que se embriagou de poeta
Que se elogiou de poesia
Antes não tê-la tido
Antes não ter esperança de volta
Antes ter sempre estado limpo
Mas agora não dá
É hora do lamento
Do saborear a amargura
De ser o feio
O burro
Saborear toda dor como real
E saber que nem mesmo a dor é real
Não há futuro em mim
Nem passado que me caiba
O outro é eterno inútil
Caco ridículo de um espelho sem imagem
Nada existe cheio
Abdico da poesia
Para de espontânea vontade
Ser o que nunca quis
Que eu deixe ódio
Sabendo que nem ele perdurará mais que um pensamento
...( a vida é uma sequencia de páginas, escrever-ler, impulso insaciável, pouco consistente por que intrépido, salta de linha em linha, dançando, assoviando, cantarolando. Cada letra alarga ranhuras e intertíscios, embebidos na boa e gelada cerveja, esfumaçado pelo clássico imperdível e amado ns cigarros, que alivia alimenta as angústias e ilusões de uma gente que se perde na margem do meio e em todas as outras margens da academia. )
e então
SOLENEMENTE SURRUPIADO E DEVIDAMENTE APROPRIADO...apresento:
O INCÊNDIO VESPERTINO NAS PISCINAS DOS SUBÚRBIOS
Quando lecionava escrita criativa na Iowa University, John Cheever propunha três exercícios a seus alunos:
1] A escritura de um diário por ao menos uma semana, um diário onde aparecesse tudo: sentimentos, sonhos, orgasmos, todo tipo de sensações, desde as mais íntimas até a descrição da cor de garrafas vazias ou prestes a serem entornadas;
2 ] O segundo passo consistia na composição dum conto onde sete personagens ou paisagens que aparentemente não tivessem nada a ver surgissem inevitável e profundamente relacionados entre si;
3 ] O terceiro passo -- e esta era a sua lição favorita -- era redigir uma carta de amor como se estivesse escrevendo num edifício em chamas -- "Um exercício que nunca falha", dizia.
por Joca Reiners Terron, e
depois, de um dos emissários do qual esqueci de olhar o nome...
e então
SOLENEMENTE SURRUPIADO E DEVIDAMENTE APROPRIADO...apresento:
O INCÊNDIO VESPERTINO NAS PISCINAS DOS SUBÚRBIOS
Quando lecionava escrita criativa na Iowa University, John Cheever propunha três exercícios a seus alunos:
1] A escritura de um diário por ao menos uma semana, um diário onde aparecesse tudo: sentimentos, sonhos, orgasmos, todo tipo de sensações, desde as mais íntimas até a descrição da cor de garrafas vazias ou prestes a serem entornadas;
2 ] O segundo passo consistia na composição dum conto onde sete personagens ou paisagens que aparentemente não tivessem nada a ver surgissem inevitável e profundamente relacionados entre si;
3 ] O terceiro passo -- e esta era a sua lição favorita -- era redigir uma carta de amor como se estivesse escrevendo num edifício em chamas -- "Um exercício que nunca falha", dizia.
por Joca Reiners Terron, e
depois, de um dos emissários do qual esqueci de olhar o nome...
петак, новембар 5
среда, новембар 3
Sei que ando desnorteada. Eu me percebo, apesar de tudo.
Tão cinza, por vezes, tão pálida.
outras, tons dramáticos, púrpuras em várias nuances.
A minha sombra, tons pastéis.
Ao meio dia, amarelo outro.
Ao entardecer,
rosa-chá.
cair da noite: verde-hortelã.
Domingos a noite
um azul profundo, inabitável.
( um dia ainda perco o medo e começo a me pintar)
Todos os dias travo debates banais e insuportavelmente imperdíveis.
Tudo é um estar só. Um tropeço.
são sorrisos de olhos.
Aquele "beijo" que não veio.
(récuo da trama).
Tão cinza, por vezes, tão pálida.
outras, tons dramáticos, púrpuras em várias nuances.
A minha sombra, tons pastéis.
Ao meio dia, amarelo outro.
Ao entardecer,
rosa-chá.
cair da noite: verde-hortelã.
Domingos a noite
um azul profundo, inabitável.
( um dia ainda perco o medo e começo a me pintar)
Todos os dias travo debates banais e insuportavelmente imperdíveis.
Tudo é um estar só. Um tropeço.
são sorrisos de olhos.
Aquele "beijo" que não veio.
(récuo da trama).
уторак, новембар 2
Ângulo
Aonde irei neste sem-fim perdido,
Neste mar oco de certezas mortas? -
Fingidas, afinal, todas as portas
Que no dique julguei ter construído...Chegaram à baía os galeões
Com as sete Princesas que morreram.
Regatas de luar não se correram...
As bandeiras velaram-se, orações...
Detive-me na ponte, debruçado,
Mas a ponte era falsa - e derradeira.
Segui no cais. O cais era abaulado,
Cais fingido sem mar à sua beira...
- Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes
Que um outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes -
Um outro que eu não posso acorrentar...
Mário de Sá Carneiro
Aonde irei neste sem-fim perdido,
Neste mar oco de certezas mortas? -
Fingidas, afinal, todas as portas
Que no dique julguei ter construído...Chegaram à baía os galeões
Com as sete Princesas que morreram.
Regatas de luar não se correram...
As bandeiras velaram-se, orações...
Detive-me na ponte, debruçado,
Mas a ponte era falsa - e derradeira.
Segui no cais. O cais era abaulado,
Cais fingido sem mar à sua beira...
- Por sobre o que Eu não sou há grandes pontes
Que um outro, só metade, quer passar
Em miragens de falsos horizontes -
Um outro que eu não posso acorrentar...
Mário de Sá Carneiro
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