Nesta mesa posta e vazia, todos nos silenciamos para
ouvir um certo
burburinho, um rumor que secreta um corpo: é o som
causado pelo
atrito da ponta do lápis que risca a folha de papel.
(Um traço irrompe.)
Ce qu'on sait n'est pas à soi
Consteladas as vozes, diversas, somos
lançados para o vazio em que se trava a batalha pela
visão da escrita,
no desejo de que uma outra escrita possa surgir: dos
afetos, dos
fulgores, da paisagem.
(Para o corpo que se insinua junto ao meu, espalho um
rastro de
cintilâncias: meu corpo amolece, debruça-se sobre o
outro, vai e volta,
desprende-se de mim e abre-se ao fora de si mesmo:
estofo / caliça /
espumas.)
Mas na hora de voltar à tona já não havia os encantos submarinos e reaparecia a ânsia do afogamento. Você sabe? Você sabe, por acaso? A essa hora onde andará meu amor? A essa hora, onde andarão os meus amores? Meus dois, três amores? Onde andarão a essa hora? Onde está você? Adiós muchachos, compañeros etc. Fome de amor. Por que eles me deixaram sozinho numa hora tão difícil de se entender?
Escrevo nestes cadernos para que, de fato, a
experiência do
tempo possa ser absorvida. Pensei que, um dia, ler
estes
textos, provenientes da minha tensão de esvair-me e
cumular-
me em metamorfoses poderia proporcionar-me indícios do
eterno retorno do mútuo.
leio estes cadernos para sorver o espernear : a imagem
de uma extinção. De um exílio.Eles irão para longe. e
não, não irão voltar;
But that must not lead to a kind of neutralization of differences
To keep the outside out.
é assim: A gente avacalha e depois se esculhamba.
Oh sombra de remedio inconstante,
ser en mí lo mejor lo que no es nada!
O meu caminho, por outro lado:
É um
caminho ainda viável, uma espécie de caminho de ronda
que
ladeia, vigia e, por vezes, duplica o outro caminho,
aquele
onde errar é a tarefa sem fim.
venho a
esta casa com o sentido indagador que lhe
dou. Prescutar e receber
certas dobras quase
gastas e apagadas de acontecimentos históricos. O
livro não
é, para mim, o objeto rápido de uma leitura; dissimula
um
mútuo: uma época e alguém.
é de esperar que alguém se obstine em fazer coisas assim. Mas pra que também essa originalidade toda? Nada interessa?
Principio a recorrer às palavras que anunciam a
realidade.
Por que brincas? Por que não brincas? Porque
brincas
sozinha?
Por necessidade de te conhecer. De conhecer-te
respondo.
Entraste no reino onde sou cão. Pesa a
palavra.
Eu peso.
Desenha a palavra.
Eu desenho.
Pensa a palavra.
Eu penso.
Então entraste no reino onde eu sou cão
concluiu ele.
(Maria Gabriela Llansol,Maurice Blanchot , Stéphane
Mallarmé,
Clarice Lispector, Caetano veloso e eu mesmo)
уторак, октобар 31
четвртак, октобар 26
É como se não se sentisse nada. Tédio e compostura. Esteve além e aquém. E agora, Ali. O infinitamente grande... o infinitamente pequeno... às vezes a diferença não é simples. Às vezes não existe diferença. É preciso que as coisas sejam esquartejadas e dissolvidas. Preciso que a proximidade seja superada por todas as distâncias, para que se veja despontar o díspar. Não se trata de uma paciência ou de uma fixação ordinária. Visto o deslocamento e o disfarce, vence-se com leveza o breve instante de paralisia e retoma-se a reconquista do infinito. Tornar-se o próprio impossível.
Por que as coisas se repetem para mostrar que nada permanece?
Por que as coisas se repetem para mostrar que nada permanece?
среда, октобар 18
São apenas tempos sarcárticos, catárticos. Gosto de escrever como gosto das minhas unhas, vermelhas, e dos alter-egos fantásticos que se derramam sem fim nas mesas dos bares. Sei que se pudesse afugentaria o desejo a qualquer preço. Se pudesse escreveria pra falar contigo. Mas gosto de contar os degraus em que tropeço. Sou danado e como erva daninha encho meus bolsos de cigarro e emoção. Fujo dos holofotes estrangulando uma outra vida que nunca pode. Andam me dizendo que sou muito má. Mas tenho pra mim que não. Herdei sim aquela certeza de que dou para o mal. Mas não vou viver das lágrimas do teu rosto. E ainda que passe por cima, será apenas uma dança.Quando eu for embora, um gesto incompreensível aprisionado em uma insana escultura. Eu sei, você às vezes fica preso em sonhos tristes. Por isso insisti para que o nosso encontro fosse em mim. Onde chove sempre. É o indigente que apazigua a ressaca e põe a menina na cama. Havia outro que a amava. Uma parede é uma letra e mesmo assim não cabe.
É que temos muito medo de ser parvos.
É que temos muito medo de ser parvos.
уторак, октобар 10
-Que pode ser aquilo que se quer?
-Entre._ o mundo é mesmo essa quimera semi-horrenda.
Nos deixemos cair, ora, num doce abandono no meio desta desordem. Por trás, mais longe.
-O mundo está, para mim, deserto. Quando chegará o momento de estancar essa hemorragia? Minha dor não tem cura.
- há uma espécie de beleza nisso... uma grande farsa... um carnaval nunca vivido... uma catástrofe sem lágrimas... uma súbita aflição basicamente triunfante... deleite, desvio,delírio, desespero, desvario, desaparição.
- eu queria dizer que permaneço bêbada para sorver a sobriedade do mundo. Mas basta dessa vida pela metade. Basta de Eu e Outros.Estes subterfúgios que são as dicotomias eu blasfemo. Estou bêbada e sobria, sou eu e todos os demais. Atravesso a cisão que nunca foi senão o reflexo de uma tênue poça d'água.
- você corre..... Não quer....acho que honestamente evita... Mas leio-te e vejo o mesmo intelectual de sempre. A consciência de todos...Falando em nome do universal. Pescando do abstrato céu a verdade e oferecendo, "generoso" sua determinação possível aos bossais.
- eu posso falar de um único homem, ou de todos os homens. Por que escolher a forma menos dispendiosa, menos aleatória, menos sucetível à escapatórias, à deslizes, aos empurrões?
- não há nada a se compartilhar entre todos os homens.
-Há: a vaidade, o cinismo e a luxúria. Há também o sonho, a bela, inútil mas soberana capacidade de sonhar.
-Entre._ o mundo é mesmo essa quimera semi-horrenda.
Nos deixemos cair, ora, num doce abandono no meio desta desordem. Por trás, mais longe.
-O mundo está, para mim, deserto. Quando chegará o momento de estancar essa hemorragia? Minha dor não tem cura.
- há uma espécie de beleza nisso... uma grande farsa... um carnaval nunca vivido... uma catástrofe sem lágrimas... uma súbita aflição basicamente triunfante... deleite, desvio,delírio, desespero, desvario, desaparição.
- eu queria dizer que permaneço bêbada para sorver a sobriedade do mundo. Mas basta dessa vida pela metade. Basta de Eu e Outros.Estes subterfúgios que são as dicotomias eu blasfemo. Estou bêbada e sobria, sou eu e todos os demais. Atravesso a cisão que nunca foi senão o reflexo de uma tênue poça d'água.
- você corre..... Não quer....acho que honestamente evita... Mas leio-te e vejo o mesmo intelectual de sempre. A consciência de todos...Falando em nome do universal. Pescando do abstrato céu a verdade e oferecendo, "generoso" sua determinação possível aos bossais.
- eu posso falar de um único homem, ou de todos os homens. Por que escolher a forma menos dispendiosa, menos aleatória, menos sucetível à escapatórias, à deslizes, aos empurrões?
- não há nada a se compartilhar entre todos os homens.
-Há: a vaidade, o cinismo e a luxúria. Há também o sonho, a bela, inútil mas soberana capacidade de sonhar.
недеља, октобар 8
субота, септембар 30
Desligar.
Ele pôs uma roupa bem bacana, e foi. Era como eu quando comecei a escrever isto. Não sabíamos, nem eu, nem ele, muito bem o que queríamos, onde iríamos, o que nos esperava. Apenas era impossível ficar ali, ele em seu mundo, eu na minha primeira palavra.
Não sei muito bem como nos encontramos. Ambos sem rumo, mas conscientes de que não há nada de especial nisso. Alías, nesses dias, este sentimento é tão vulgar que seres de exceção querem fugir dele. Mas ele ia. Até qualquer coisa que não fosse ele, que não estivesse impregnado de seu cheiro, de suas vontades. Repito que não sei como pudemos nos encontrar. pois meu caminho é reto e simples. Ir até o fim da linha e voltar. E ir de novo. Nâo tinha nada a dizer. Apenas queria arar este espaço tão branco. Ele andava em círculos, em elipses improváveis, rotas desarmônicas, cambaleantes. POr tantas vezes parecia trombar, tropeçar, trapacear. Ele queria tanto escapar de si, e eu sempre tive que inventar. Ele, materialidade pura, tão ferido, tão castigado, tão real. Eu, de primeira, não pude entender. Meu caminho, sempre em linha reta, na verdade sempre fez em si todas as curvas, todas as digressões, todos os destinos. Eu sempre fui bela, éterea, impossível, ficcional. Sempre pude tudo, e aquele moço, tão pouco.
Não sei bem quando foi que nos encontramos. Acho que foi há muito tempo atrás, ou tanto tempo depois. Sua dor é a esperança da minha próxima letra. Seu passado, meu outro futuro; sua ruína, meu monumento. Seu sossego, meu espaço.
Escorre sangue do enlaço que nos une.
-coisa bonita isso... (vê ai a saideira? mais um maço de cigarro!)mas pra quê vocÊ falou isso tudo ?
-POr que as pessoas teimam em dizer que isso tudo não é real?
-pessoas existem?
- Pessoas não existem. Apenas a noite existe. Pessoas... em geral, elas são apenas perda-de-tempo. passa-tempo;
- vejam, o dia... o bar está fechando... não se pode pensar impunemente.
Ele pôs uma roupa bem bacana, e foi. Era como eu quando comecei a escrever isto. Não sabíamos, nem eu, nem ele, muito bem o que queríamos, onde iríamos, o que nos esperava. Apenas era impossível ficar ali, ele em seu mundo, eu na minha primeira palavra.
Não sei muito bem como nos encontramos. Ambos sem rumo, mas conscientes de que não há nada de especial nisso. Alías, nesses dias, este sentimento é tão vulgar que seres de exceção querem fugir dele. Mas ele ia. Até qualquer coisa que não fosse ele, que não estivesse impregnado de seu cheiro, de suas vontades. Repito que não sei como pudemos nos encontrar. pois meu caminho é reto e simples. Ir até o fim da linha e voltar. E ir de novo. Nâo tinha nada a dizer. Apenas queria arar este espaço tão branco. Ele andava em círculos, em elipses improváveis, rotas desarmônicas, cambaleantes. POr tantas vezes parecia trombar, tropeçar, trapacear. Ele queria tanto escapar de si, e eu sempre tive que inventar. Ele, materialidade pura, tão ferido, tão castigado, tão real. Eu, de primeira, não pude entender. Meu caminho, sempre em linha reta, na verdade sempre fez em si todas as curvas, todas as digressões, todos os destinos. Eu sempre fui bela, éterea, impossível, ficcional. Sempre pude tudo, e aquele moço, tão pouco.
Não sei bem quando foi que nos encontramos. Acho que foi há muito tempo atrás, ou tanto tempo depois. Sua dor é a esperança da minha próxima letra. Seu passado, meu outro futuro; sua ruína, meu monumento. Seu sossego, meu espaço.
Escorre sangue do enlaço que nos une.
-coisa bonita isso... (vê ai a saideira? mais um maço de cigarro!)mas pra quê vocÊ falou isso tudo ?
-POr que as pessoas teimam em dizer que isso tudo não é real?
-pessoas existem?
- Pessoas não existem. Apenas a noite existe. Pessoas... em geral, elas são apenas perda-de-tempo. passa-tempo;
- vejam, o dia... o bar está fechando... não se pode pensar impunemente.
среда, септембар 27
Lago de Narciso
toda essa gente se engana, Eu sou quem eu sou
fingem
não vêem que eu nasci pra ser o super bacana.
EU
. Saio da fossa,
dançando
nagô.
Eu sou o samba!
sou o rei do terreiro .
sincero contradizendo-me a cada minuto, desagrado pela plena liberalidade de espírito. Amo como um deus. Te perdôo por te trair.
fingem
não vêem que eu nasci pra ser o super bacana.
EU
. Saio da fossa,
dançando
nagô.
Eu sou o samba!
sou o rei do terreiro .
sincero contradizendo-me a cada minuto, desagrado pela plena liberalidade de espírito. Amo como um deus. Te perdôo por te trair.
четвртак, септембар 21
O dia começa sem um nome. Não é dado nome para esse dia. Sem nome, dia, que começa, começa. Sem nome, sem dia, começa. Dia. Corro para um lado de lá que não tem lá. Corro para um lado, de lá, não tem lado. Corro, de lado, de lá, para quê corro? De lá-do nome. Olho para os seios daquela mulher. Olho, para os seios daquela mulher, olho. Olho. Corro para quê? Corro para lá, corro para o lado de lá, corro para os seios daquele lado de lá, corro para aquela mulher, olho, corro corro corro, para o lado do nome, sem dia para começar, corro. Começo sem dia a olhar para o lado de lá dos seios daquela mulher. Seios. Olhar. Olho. Começo do dia como um dado, olhar, nos seios, sem nome, mulher, olhar, olhar olhar.
среда, септембар 20
A cortina é púrpura, e uma esperança de brisa vaza por ela. Arde a vida lá fora, num dia infinitamente branco. Eu não quero ir, não quero. Como subsídio à compreensão, interrogou-se pela necessidade de atestados para a vida em dias de calamidade tácita. Um verdadeira mostra de tudo que sinto são os indígenas americanos: aquilo que não pode existir
senão deste modo. Enganam-se aqueles que pensam por isso surgir um discurso de caprichos e futilidades. Apenas indico.
Uma fina camada de poeira cobre todo assoalho. Uma espécie de epiderme, cuidadosamente tratada, a fim de proteger os mais frágeis das alterações prodigiosas do devir. è estranho pra você também, isso de perceber que não mais importa?
A cama desarrumada há dias. Roupas e livros formam um conjunto belo de tão desarmônico. O que pode por as coisas em seu lugar? Precisa-se de uma faxineira. Uma faxina que ultrapasse o ôntico. Uma faxina fenomenológica.
Tenho metros e metros de papel-bolha. Estourá-las têm sido a coisa mais útil dos ultimos dias.Pensando bem,
é uma coisa meio estúpida isso de não saber a diferença entre o estranho e o familiar. Na verdade é a estúpidez de uma época, da mesma natureza dessa bobagem que é sentir saudade
que nunca existiu, Quanto pode valer uma hora do meu dia? Como sou livre, defino eu mesmo minha mais-valia. Contabilizo, e espero. Sou um produto que peca na relação custo-benefício.
Espanca quem quer levar.
senão deste modo. Enganam-se aqueles que pensam por isso surgir um discurso de caprichos e futilidades. Apenas indico.
Uma fina camada de poeira cobre todo assoalho. Uma espécie de epiderme, cuidadosamente tratada, a fim de proteger os mais frágeis das alterações prodigiosas do devir. è estranho pra você também, isso de perceber que não mais importa?
A cama desarrumada há dias. Roupas e livros formam um conjunto belo de tão desarmônico. O que pode por as coisas em seu lugar? Precisa-se de uma faxineira. Uma faxina que ultrapasse o ôntico. Uma faxina fenomenológica.
Tenho metros e metros de papel-bolha. Estourá-las têm sido a coisa mais útil dos ultimos dias.Pensando bem,
é uma coisa meio estúpida isso de não saber a diferença entre o estranho e o familiar. Na verdade é a estúpidez de uma época, da mesma natureza dessa bobagem que é sentir saudade
que nunca existiu, Quanto pode valer uma hora do meu dia? Como sou livre, defino eu mesmo minha mais-valia. Contabilizo, e espero. Sou um produto que peca na relação custo-benefício.
Espanca quem quer levar.
субота, септембар 16
Acordo tendo como companhia a ressaca e o cansaço.
O que exatamente se sucedeu ontem é assunto para sagazes historiadores das bizarrices culturais.
Eu, distante deste meio tão erudito, me perco em sistemas muito complexos de pensamento, tudo muito chique e inútil.
Nunca consigo saber se é porque já conheço os passos da estrada, ou se é porque quero que você venha comigo.
Acho que é o calor que co-funde tudo.
Também sou um ratinho de laboratório a espera do fetiche do cientista ausente.
E sou também a abóbora que ainda-não virou
carruagem.
não posso curar as escrófulas, mas tenho mãos taumatúrgicas;
vc se esconde.
Ela não vem.
e os outros, são rosto ou fronteira?
ou ainda, apenas um devires?
no fundo, se trata saber o limite entre o irreverente e o ridículo.
e esquecê-lo em seguida,
ou pulá-lo;
às vezes é só uma vontade de férias de si mesmo, para ficar com meus outros eu, em nenhum lugar.
O que exatamente se sucedeu ontem é assunto para sagazes historiadores das bizarrices culturais.
Eu, distante deste meio tão erudito, me perco em sistemas muito complexos de pensamento, tudo muito chique e inútil.
Nunca consigo saber se é porque já conheço os passos da estrada, ou se é porque quero que você venha comigo.
Acho que é o calor que co-funde tudo.
Também sou um ratinho de laboratório a espera do fetiche do cientista ausente.
E sou também a abóbora que ainda-não virou
carruagem.
não posso curar as escrófulas, mas tenho mãos taumatúrgicas;
vc se esconde.
Ela não vem.
e os outros, são rosto ou fronteira?
ou ainda, apenas um devires?
no fundo, se trata saber o limite entre o irreverente e o ridículo.
e esquecê-lo em seguida,
ou pulá-lo;
às vezes é só uma vontade de férias de si mesmo, para ficar com meus outros eu, em nenhum lugar.
субота, септембар 2
Não se preocupe, apenas a realidade está Um pouco zonza. O ar está esfumaçado demais. Muito barulho. The modern age.
Parece que deus o fez morrer durante cem anos. E ainda não passou mais do que uma parte do dia. Todas as horas pareciam um impostergável deserto chuvoso. And all these things...ele Incluia nessa sensação um amargo projetado nas ausências da noite passada. Refletiu que é lícito sucumbir às fraquezas da carne.
Alguma vez aceitou. Quando passa a exaltação, tudo se reduz ao mais simples. "por que você não veio?" se torna imediatamente uma pergunta intolerável. E ela sabia constatar o insuportável. E nas cartas que envia a seus amigos, o Irreal diz.
Manhã cinzenta e amena. Sofro, por mágoa ou por felicidade. Tive pesadelos. Saiba que estou lhe escondendo alguma coisa.
Ela cozinhava, mas os filhos não viriam comer. Figura deliberativa, continha um furor que desliza. Drene aquilo que é senão uma hemorragia.
Nesses racantos mortos, o som não circula.Pensar é pensar que as coisas não acabam nunca. Por isso ele não pensa. POr muito tempo, como o poeta, pensou ser ausência, falta.Agora já não pensa. Love Is Stronger Than Pride. Ri, ri.
Minutos depois, o ferro em brasa. Onde foi que você deixou sua cabeça? E isso tudo, abuso ou indispensabilidade?
Sabia-se tão viva quanto dependente. Anaisanais e um vestido a-histórico. A madrugada, espremida.
sim, algum dedo toca as teclas,
mas por propedêutica demitiu-se de ser.
Parece que deus o fez morrer durante cem anos. E ainda não passou mais do que uma parte do dia. Todas as horas pareciam um impostergável deserto chuvoso. And all these things...ele Incluia nessa sensação um amargo projetado nas ausências da noite passada. Refletiu que é lícito sucumbir às fraquezas da carne.
Alguma vez aceitou. Quando passa a exaltação, tudo se reduz ao mais simples. "por que você não veio?" se torna imediatamente uma pergunta intolerável. E ela sabia constatar o insuportável. E nas cartas que envia a seus amigos, o Irreal diz.
Manhã cinzenta e amena. Sofro, por mágoa ou por felicidade. Tive pesadelos. Saiba que estou lhe escondendo alguma coisa.
Ela cozinhava, mas os filhos não viriam comer. Figura deliberativa, continha um furor que desliza. Drene aquilo que é senão uma hemorragia.
Nesses racantos mortos, o som não circula.Pensar é pensar que as coisas não acabam nunca. Por isso ele não pensa. POr muito tempo, como o poeta, pensou ser ausência, falta.Agora já não pensa. Love Is Stronger Than Pride. Ri, ri.
Minutos depois, o ferro em brasa. Onde foi que você deixou sua cabeça? E isso tudo, abuso ou indispensabilidade?
Sabia-se tão viva quanto dependente. Anaisanais e um vestido a-histórico. A madrugada, espremida.
sim, algum dedo toca as teclas,
mas por propedêutica demitiu-se de ser.
уторак, август 29
петак, август 25
Preciso escrever algo de eminentemente;
uma necessidade que me rasga pelo lado de lá. Não preciso contar-lhe nada. Preciso mesmo e antes inventar uma maneira de você me ouvir.
Ei, presta atenção em mim.
Eu, objeto digno de pesquisa arqueológica e erudita. Mais do que uma antiguidade quantitativa,mais do que um documento de arquivo. Não extraia meu valor do fato de eu ser inserido, mas do fato de representar algo a mais, algo de diverso. Ei,
Vou te contar: da minha cabeça desprende-se elipses negras, e no meu torso, algo tenta aferrar-me enquanto revira, sacode, atira, estripa-me. Jogando.
Já fui de você?
uma vez, agora já não mais.
na verdade tudo procedeu-se de maneira demoníaca. mas você não deve ficar surpreso. Não fica. eu não fico. o mesmo mar e dois sóis. O mesmo sol e muitos horizontes. esse lugar inventado, onde se compartilha apenas o exagero do desencontro, a hipérbole da dessincronia. uma dimensão rarefeita. O foco desta experiência não é mais o instante pontual e inaferrável em fuga ao longo do tempo linear, mas o átimo da decisão autêntica, em que se experimenta não apenas a própria finitude, mas que se projeta além de si no cuidado.Isto não significa que o prazer tenha seu lugar na eternidade.
uma necessidade que me rasga pelo lado de lá. Não preciso contar-lhe nada. Preciso mesmo e antes inventar uma maneira de você me ouvir.
Ei, presta atenção em mim.
Eu, objeto digno de pesquisa arqueológica e erudita. Mais do que uma antiguidade quantitativa,mais do que um documento de arquivo. Não extraia meu valor do fato de eu ser inserido, mas do fato de representar algo a mais, algo de diverso. Ei,
Vou te contar: da minha cabeça desprende-se elipses negras, e no meu torso, algo tenta aferrar-me enquanto revira, sacode, atira, estripa-me. Jogando.
Já fui de você?
uma vez, agora já não mais.
na verdade tudo procedeu-se de maneira demoníaca. mas você não deve ficar surpreso. Não fica. eu não fico. o mesmo mar e dois sóis. O mesmo sol e muitos horizontes. esse lugar inventado, onde se compartilha apenas o exagero do desencontro, a hipérbole da dessincronia. uma dimensão rarefeita. O foco desta experiência não é mais o instante pontual e inaferrável em fuga ao longo do tempo linear, mas o átimo da decisão autêntica, em que se experimenta não apenas a própria finitude, mas que se projeta além de si no cuidado.Isto não significa que o prazer tenha seu lugar na eternidade.
понедељак, август 21
четвртак, август 17
Os primeiros anos da minha vida suscitaram em mim o gosto pela aventura. Papai me dizia que desde pequeno, eu ainda lembro do que ele dizia, desde pequeno eu brincava de esconde esconde de uma maneira diferente das outras crianças. Meu jogo se particularizava, na atenção que papai me dedicava da janela a brincar, em conflitos invisíveis, inexistentes mesmo para os demais da brincadeira. Em algum lugar, em algum momento da peça de esconder, meu jogo mudava de sentido e ia em direção a uma aventura efusiva e solitária. Nesse fervor quase sempre eu diluia a imagem das outras crianças em nuvens árvores cenário chão deuses armas personagens combatentes de uma guerra carnal.
Papai me dizia isso, como eu ainda lembro escutá-lo me dizer isso, como, como, aquele ar folgado, com o olho direito meio cerrado sobre mim a descobrir me revirar, eu diminuto diante dele e lá, por cima, ele a me visar como quem olha algo pela lente de um microscópio e tenta relatar o que vê em minúcias verbais detalhes que encaixam as palavras para dar o sentido daquela luminosidade vista, papai me encarava assim, como quem estuda um ser minúsculo, em segredo, quase sincero. Penso que papai hoje gostaria de me colocar numa grande mesa com lupas gazes e bisturi ao lado e examinar parte por parte dessa fantasia que me tornei. Será papai?
"Então você saberá de tudo um dia", papai falou.
Será papai?
Papai me dizia isso, como eu ainda lembro escutá-lo me dizer isso, como, como, aquele ar folgado, com o olho direito meio cerrado sobre mim a descobrir me revirar, eu diminuto diante dele e lá, por cima, ele a me visar como quem olha algo pela lente de um microscópio e tenta relatar o que vê em minúcias verbais detalhes que encaixam as palavras para dar o sentido daquela luminosidade vista, papai me encarava assim, como quem estuda um ser minúsculo, em segredo, quase sincero. Penso que papai hoje gostaria de me colocar numa grande mesa com lupas gazes e bisturi ao lado e examinar parte por parte dessa fantasia que me tornei. Será papai?
"Então você saberá de tudo um dia", papai falou.
Será papai?
Um dia. Depois, outro dia.
Bom ser assim.
A felicidade é página em branco.Eu sei. Aliás, eu sei de várias coisas.
Bom ser assim também. Odeio falsa modéstia. Sou sim, assim, desse jeito. Fazer o quê?
Convivo com isso. Quase um fardo. Oh céus.
Doa a quem doer. E se doí em mim? Posso suportar.
Vivo assim tem muito tempo.
Já não posso pedir desculpas por existir. - meu amigo, traz uma cerveja. A dor é grande.
-vai passar?
- se não passa, passa. e se passa, não passa. Quem vai saber?
- quem escreve.
-quem escreve?
Quando a casa está em chamas é inútil querer salvar os movéis.
-como foi de viagem?
Bom ser assim.
A felicidade é página em branco.Eu sei. Aliás, eu sei de várias coisas.
Bom ser assim também. Odeio falsa modéstia. Sou sim, assim, desse jeito. Fazer o quê?
Convivo com isso. Quase um fardo. Oh céus.
Doa a quem doer. E se doí em mim? Posso suportar.
Vivo assim tem muito tempo.
Já não posso pedir desculpas por existir. - meu amigo, traz uma cerveja. A dor é grande.
-vai passar?
- se não passa, passa. e se passa, não passa. Quem vai saber?
- quem escreve.
-quem escreve?
Quando a casa está em chamas é inútil querer salvar os movéis.
-como foi de viagem?
уторак, август 15
понедељак, август 7
O som, a tv, o pc. Na mesa um livro cheio de margens. O caderno amarelo. A gaia ciência. Reflexões sobre a destruição da experiência e a origem da história. Uma mensagem que nunca chega. Bossa nova. Um cigarro aceso. Clarice lispector. marcadores coloridos. Exercício de francês.a paráfrase: o ponto,linha e superfície. A negação da negação. Agora jazz. Na cabeça deveria estar Kant, Aristóteles, Heidegger, Hegel. Mas o pensamento escorrega.Sempre detestei domingos. Estou com raiva, constato; meus olhos deslizam. Se foque, Aline. Se foque. Mas a poesia me surge como oração, de-cór, intensa, plena, lúcida. Vêm de rompante, a dizer que mereço tomar uma cerveja, preciso beber alguma coisa rapidamente. Suas linhas ainda não corpóreas. Elas surgem e as leio no ainda não escrito:" Estou cansado, é claro,/Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. / De que estou cansado, não sei: / De nada me serviria sabê-lo,/ Pois o cansaço fica na mesma. / A ferida dói como dói / E não em função da causa que a produziu. / Sim, estou cansado, / E um pouco sorridente / De o cansaço ser só isto — / Uma vontade de sono no corpo, / Um desejo de não pensar na alma, /E por cima de tudo uma transparência lúcida /Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo. / Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, / E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, / Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa." Ainda toca jazz. Anda, tenho que estudar. ainda há um bar aberto? há de ter. há de ter.
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo. / Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, / E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, / Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa." Ainda toca jazz. Anda, tenho que estudar. ainda há um bar aberto? há de ter. há de ter.
петак, август 4
Ao longo de vários dias
reparou na flor matizada nascida na areia que escorreu entre seus dedos.
Não podia desviar-se.
-Oh se me lembro e quanto. E se não me lembrasse?
Aquela tristeza metafísica era fruto de uma falha de caráter. Era fácil olhar e estar certo. fácil olhar e prever. De resto, cabia apenas a resignação de quem olha as montanhas e sabe que nunca verá o mar.
- poucas vezes é tão doloroso dizer "eu já sabia".
- eu vivi uma história não documental. Sou devedor do meu passado.
- o mais difícil é saber que não tem fim. ou ainda por fim. é muito difícil ter misericórdia.
- não posso te contar porque qualquer redução seria insuportável. senão...
- se não?
- o que?
- a vida toda espero despreender um minuto.
São guerras mudas, filhas de uma indiferença armada. Qualquer coisa tão presente e íntima que ameaça triturar
uma flor, que resiste.
- E assim vivemos, se ao confronto se chama viver,
unidos pela impossibilidade de desligamento,
acomodados, adversos,
roídos de infernal
curiosidade.
reparou na flor matizada nascida na areia que escorreu entre seus dedos.
Não podia desviar-se.
-Oh se me lembro e quanto. E se não me lembrasse?
Aquela tristeza metafísica era fruto de uma falha de caráter. Era fácil olhar e estar certo. fácil olhar e prever. De resto, cabia apenas a resignação de quem olha as montanhas e sabe que nunca verá o mar.
- poucas vezes é tão doloroso dizer "eu já sabia".
- eu vivi uma história não documental. Sou devedor do meu passado.
- o mais difícil é saber que não tem fim. ou ainda por fim. é muito difícil ter misericórdia.
- não posso te contar porque qualquer redução seria insuportável. senão...
- se não?
- o que?
- a vida toda espero despreender um minuto.
São guerras mudas, filhas de uma indiferença armada. Qualquer coisa tão presente e íntima que ameaça triturar
uma flor, que resiste.
- E assim vivemos, se ao confronto se chama viver,
unidos pela impossibilidade de desligamento,
acomodados, adversos,
roídos de infernal
curiosidade.
недеља, јул 30
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