недеља, јул 30
уторак, јул 25
-Repare: não somos tão diferentes assim. Levantando edifícios como quem constroe castelos, na areia.
Veja aquele outro: enfastiado.
- a gente passeia pelo mundo como quem consulta um catálogo:a) carente profissional,b)moça apaixonada, c)divorciada bem sucedida,d) corno,e) mal-amada,f) cobais de deus,g) anjo caído,h) mulata sambista, i)trocador de ônibus,j) fadas,l) vermes,m) cagão,n) cara-de-pau,o) desmiolada,p) precoce,q) ingênuo,r) gatinha de rua, s)filosofo de calçada,t) revolucionário de buteco...
-e nós?
-um vício só não basta. Depois que eu descobri que era triste
As tardes ficaram mais azuis
Eu descobri. Eu sou triste
Depois que eu levei porrada
Que os urubus se mostraram
Depois da ingenuidade
Entrei numa fase estranha;
- Esta melâncolia não lhe parece patética? vc fala como um garotinho perdido dos pais...
- vc não pode adivinhar o que está rolando de novo. Não se trata de estar aqui ou lá.Percorro suas vias. um vício só não basta.
недеља, јул 23
Nunca tive notícia de nada incontornável.
Essa coisa de lugares sem saída é pra gente sem imaginação.
Mas imaginar não é uma levianidade, algo que vc faz por que não tem nada melhor pra fazer. é um inescapável exercício de agrura. Mas com a leveza de quem acordou cedo e foi a feira.
ou recebeu um buquê de flores.
четвртак, јул 13
Retorno. Mas o que me intriga em tudo é que ando tão dispersa, que preciso ensaiar ser alguma coisa antes de ver pessoas. Eu preciso criar meu rastro antes de deixá-lo.
Não tenho nada em mim de espontâneo. O mínimo ato, entrar na cozinha pela manhã, e pegar um café: precisa ser muito bem pensado antes. preciso criar, cada passo, cada gesto, cada palavra a ser dita. Não pela necessidade de ser perfeito, mas pelo risco de não ser nada.
Sinto que abandonada a mim mesmo não levantarei da cama. Ou antes, apenas me dissiparei. Dissipará o resto de coisa concreta que me prende: este corpo. De resto, já desapareci. é só porque já desapareci que apareço, vez ou outra, como uma assombração para meus escolhidos, de uma forma assim, cruelmente irrisória.
- e isso te pertuba?
- Pois.
Fico pensando se pode ser natural não possuir nenhuma natureza.
- na verdade pertuba tanto quanto escolher. Porque na escrita a gente escava e procura e escolhe o segredo ou a dúvida mais bela, ou mais intrigante, e as sobras a gente vai ajeitando e pondo depois ou pra outra hora. na vida tb. Já que o infinit vai pra frente e pra trás, eu nem me preocupo.
четвртак, јул 6
E porque não? é menos importante por ser assim? é menos digno?e o que seria se fosse de outro jeito? não seria apenas outro jeito? o inventado é tão relevante... as coisas mais importantes em minha vida são inventadas. As mais bonitas também. Na verdade, eu nunca consegui distinguir muito bem entre o que é ou não inventado. O não inventado tem o direito de doer e o inventado não?
Apenas sorrio. - eh, você deve ter razão.
porque eu não quero criar um argumento. Se eu quisesse, o faria, e bem. Venceria.Porque eu sei inventar, e quem sabe inventar, sabe ter razão quando bem entende. Mas eu não quero vencer. Um egoísmo. Isso que eu descobri, é só meu. Entrevejo que outros também sabem, mas não me contam.
é uma descoberta triste. feita mais de letras, do que de que carne. é mais incapacidade do que capacidade. é ver os outros, e ficar sem outros. é menos atributo do que defeito.
E,
ainda assim,
tão exigente. requer carinho cuidado atenção. Precisa ser,de tempos em tempos,
re-inventada.
e felizmente, não precisa parecer 'real' para ninguém.
уторак, јул 4
- nada mais.
Todas estas músicas, todos estes tropeços, tantas mágoas, tantos risos, tantos nadas...
- é. nada mais importa.
Penso que estou cansada dessa história de ser mais que fútil, tanto quanto estou cansada de ser só tão fútil.
- a gente toma uma saideira.
Ele me vê. quem me vê? tantos me vêem. Eu nunca vejo.Sinto asco em ser vista. Mas tudo continua.
- só mais uma. carreira.
contínua, continua. tenho raiva, tenho pressa, tenho pena.
- mas só agora vc notou que nós existimos?
- já não importa.
mais uma, mais uma.
Um copo, uma pessoa, um doce, um afeto, um cansaço, um...
-e quem vai pagar por isso?
- quem será capaz de calar-me a dor?
a vida, a vida, a vida.
eu finjo rir.
eu também finjo chorar.
- estamos num mundo onde não sente mais nada.Direita ou esquerda, humanas ou exatas. Estamos no mundo onde.
-mais uma,
- ... e o dia amanhece.
понедељак, јун 26
Por baixo aquilo foi um grande sono. Quando burlava a vigília minha cabeça sonâmbula andava por mundos nunca dantes vistos. Meu dedo desenhava sob a pele alvos-desejo aonde meus dentes fariam o trabalho bruto de aspirá-los. Meu corpo ainda soluçava ao toque tentado enquanto a mão, essa que pega fecha e segura, fraquejava ao insistir agarrar o ar quente brilhante que circulava do quarto da boca de mim. Primeiro bate bate. Tudo eu ganhava quando tudo eu perdia. Desatei a me rasgar naquela colcha de arames cortantes que corta fino e doloroso quando mais eu me batia e debato gritando ai ai ai mais corta cortantes cortes invisíveis pululantes de tão puros de pele quase sangram não confirmo se sangram sinto que escôo deságuo me liquido mas não sei se há um filete de sangue escorrendo e manchando esse lado da parede. Alguém sabe?
Por cima poderiam ser as estrelas. Cada marquinha letrinha palavra frase solta em verso aspas travessão na parede cortinavam-me constelações superiores cintilantes paralelas às minhas costas ao peito à palma da minha mão alheadas ao meu prazer e inspiradas em me vigiar prender enrolar-me e rasgar-me com essa colcha felpuda de arame farpado. A parede branca tinha já o seu reverso em um buraco negro. Quase-preso, sugado para aquele interior, arrisquei: "A perda seria o melhor preço".
"Qual é o preço para gastar isso?" perguntei, "Isso?? Isso é impagável..." a voz rouca respondeu-me, "Ok, quanto?" reafirmei meu desejo de desperdício, "Não tem preço, já lhe disse meu querido" retomou a resposta, "Filhodaputa não estou perguntando se você teria milhão para pagar isso eu lhe pergunto qual é o gasto disso?", "... ... ..."
Protestei furioso à ignorante pobreza do meu vendedor e tomei de assalto o precioso bem que só pedia o meu gasto maldito. Bandido, ainda temo a cadeia por esse meu ato. Subserviente, adotei a lógica do sistema. Sem saber, já caí na prisão.
Meio por meio aquilo era o outro ausente, fetiche. Assombro do que me escapa gasta e cobra do que me compra pede do que eu dou gasto rubro roubo pago cubro sopro vejo rio sozinho sinto que choro mas não choro daquilo que eu reclamo todavia eu não reclamo. Palavrinha por palavrinha meu redemoinho é aquela rachadura na parede cuja volta traz letrinhas cadentes para marcar por onde eu devo olhar. Ah, aquela parade, aquelas palavras, aquele astro no céu pêlos pele sem sangue sujos gozados amassados um sobre o outro, ah, aquelas palavras flutuando na parede... Mas o que era mesmo que estava escrito por lá? Não consigo recordar tudo direito para fazer essa história correta. Acho que li aquilo torto inclinado sobre o meu tronco. Meio por meio quase em silêncio antes de sonhar perguntei às palavras: "Isso dá uma história?". Não nunca deu. Sempre acaba e nunca para. (Quem me respondeu?)
Enquanto o Mundo gira, eu oscilo cambaleante.
субота, јун 24
um me sussura pelas costas promessas de um mundo mágico. Onde vc quer chegar?
Nesse lugar não me reconheço. Seduze-me a estranheza;
Ali,
eu sou outra pessoa.
O outro sou eu.
Mais eu do que eu mesmo. Tão mais do eu mesmo que me faz desdobrar.
Ali, eu sou eu mesma, e mais tudo o que quiser.
Seduz-me porque potência.
Um não me conhece, mas pensa que sim.
outro me conhece plenamente, mas ainda não sabe.
-Eu não estou.
Não precisa escolher. Eu não quero cutucar o que eu sinto. Não se faz autópsia do que não nasceu. MAs, se eu não disser nada, como é que eu vou saber?
четвртак, јун 22
a fiz. Porque resolvi que ali eu deveria ficar só, para escrever
livros. Foi assim que aconteceu. Eu estava sozinha nesta casa.Eu me fechei – eu tive medo também, é claro. E depois eu
amei esta casa. Esta se tornou a casa da escrita.
DURAS, Marguerite
петак, јун 16
Quero que se dane.
Se alguém entender o que eu disser, é porque me expressei mal.
- sim. Só acredito em histórias em que as testemunhas foram degoladas.
среда, јун 14
понедељак, јун 12
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Nu~a hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar u~a hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís de Camões
четвртак, јун 8
Uma Clareira
sempre
se abre à
minha passagem.
Um grande ectoplasma.
Os meus estojos carrego comigo,
pra quando me pinto
de vermelho,
e tudo em torno
desfalece.
Sou feliz.
Nada (esqueçamos
o invejoso tempo) me devora.
Repertir-me é
o único elo
com a necessidade
da eloquência.
Mas rápido retorno à
minha solidão extática e inexpugnável.
O verdadeiro rei sou eu.
( Ronald Polito)
уторак, јун 6
não.
recuso a medicina que ansia sedativa tratá-la da mesma forma, sob a mesma ferida, onde a vejo, ali sangrada. dói. e dói, pelas mãos de quem não a fez. e dói. loucamente sangra.
mãos perdidas.
mãos? mãos? de onde as mãos? de quem as mãos?
não concluo minha dor. as maõs não me apresentam uma sentença para acalmá-la, curá-la. mãos?
mãos?!
sempre uma mão para tratá-la. mãos? e cicatriza?
que me é doido de uma dor que não se imagina, que foge ao toque. quem tem a cura? para quê? de quem são as mãos? me fazem a cura? me cura e cura?
e essa cura sobre o não-sangrado? o exame que busca o sangue: sangue? onde sangra? que mãos me sangram? por que me sangra?
olham o meu sangue!! sangue? isso é sangue? não... eu que me esvaio, me diluo, me sangro, mas aonde sangra? ainda sangra? mãos? quem tem a cura?
"sim...", diz-me lá, "o sangue é verdadeiro. é vermelho. é corrido. e eu curo."
digo (com poros já melados): " e esse comprometimento com o inverídico?"; quem me diz, sobre aquela história sobre o nunca visto? sangue? quem o quer? me apresente! o meu sangue vermelho que nunca coagulou, que resiste, que fecha, que sobe à cabeça e não passa, a despeito do meu corpo, do vermelho, que extravia a maldita cicatriz?! ah...! a cicatriz, ela prova, ela condena e me empurra o seu olho suas mãos. o seu sangue? para o sangue. da morte? do sangue?
não carrego marcas, quem me põe marcas? não suporto as dores que pesam. quem me dói? quem me pesa? quem me sangra? e quase sangra, e quase fere, e ainda escorre e machuca, e machuca, e pesa, quase mata, mas não mata, quase mata!, e sangra, já vermelho, quase sangra!; mas não-vermelho, sem a cor, fulminante incolor, facilmente limpo.
me pegam o papel, me passam o papel, me tampam com papel. quem traz o papel?
me escondem a ferida de algo que ainda se faria doer de corte, de sangrar, de acabar invisível, vermelho, morto, melado cerrado fechado selado calado final.
понедељак, јун 5
Assim. Viva o colapso da humanidade. Da cultura. Do tempo e do espaço.
O espaço da poesia é o do isolamento e do retraimento. Não o silêncio, mas a interferÊncia surda, que se não se liga pelo bem comum, mas pela crueza de ainda ser algo, cambaleante, inacabado, cafona, mas ainda vivo.
Talvez o único vivente, já sem razão de ser, sem eira nem beira. Porque hoje há que ser cínico, hipócrita ou ingênuo pra acreditar.Três caminhos possíveis, ambos cretinos. O mundo já não comporta mais nenhuma crença que não seja uma cretinice.
Engula o chôro.
Pois, posso ser triste. Mas pior pra os neo-tarzanistas, que são feios e burros e não morrem nunca.
недеља, јун 4
недеља, мај 28
E a noite chega sem que eu saiba bem,
Quero considerar-me e ver aquilo
Que sou, e o que sou o que é que tem.
Olho por todo o meu passado e vejo
Que fui quem foi aquilo em torno meu,
Salvo o que o vago e incógnito desejo
Se ser eu mesmo de meu ser me deu.
Como a páginas já relidas, vergo
Minha atenção sobre quem fui de mim,
E nada de verdade em mim albergo
Salvo uma ânsia sem princípio ou fim.
Como alguém distraído na viagem,
Segui por dois caminhos par a par
Fui com o mundo, parte da paisagem;
Comigo fui, sem ver nem recordar.
Chegado aqui, onde hoje estou, conheço
Que sou diverso no que informe estou.
No meu próprio caminho me atravesso.
Não conheço quem fui no que hoje sou.
Serei eu, porque nada é impossível,
Vários trazidos de outros mundos, e
No mesmo ponto espacial sensível
Que sou eu, sendo eu por `'star aqui ?
Serei eu, porque todo o pensamento
Podendo conceber, bem pode ser,
Um dilatado e múrmuro momento,
De tempos-seres de quem sou o viver ?
Fernando Pessoa
понедељак, мај 22
Paul Klee
понедељак, мај 15
se pudesse falava, enrolava a língua, e sussurrava essa canção para vocês.
mas não me (nos) é possível, o que se há de fazer?
Gosto de sentir a minha lígua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódias
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesias está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior
E deixa os portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala mangueira!
Fala!
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim
O
O que pode
Esta língua?
Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas
Sejamos imperialistas
Vamos na velô da dicção choo choo de
Carmen Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E - xeque-mate - explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da
TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Sejamos o lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em Ã
De coisas como Rã e Imã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon Chevalier
Glauco Matoso e Arrigo Barnabé e maria da
Fé e Arrigo barnabé
Flor do Lácio Sambódromo
Lusamérica latim
O
O que pode
Esta língua?
Incrível
É melhor fazer um canção
Está provado que só é possível
Filosofar
Se
É melhor fazer um canção
Está provado que só é possível
Filosofar em alemão
Blitz quer dizer corísco
Hollyood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o
Recôncavo
Meu medo!
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria: tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta e prosa caótica
Ótica futura
Samba -rap, chic-left com banana
Será que ela está no Pão de Açúcar?
Tá craude brô você e tu lhe amo
Qu’é qu’eu te faço, nego?
Bote ligeiro
Nós canto-falamos como que inveja negros
Que sofrem horrores no gueto do Harlem
Lívros, discos, vídeos à mancheia
E deixe que digam, que pensem e que falem...
(Caetano Veloso)
недеља, мај 14
fico aqui em silêncio.
cansada.
Love for sale,
fita-me...
mas saiba que somos incomunicáveis
eu gozo, peno, rio, desmaio.
pode ser assim?
teimosamente sangrando,
danço sobre as horas cotidianas.
E se vc não puder entender... fica assim:
é por vontade de deus esta ânsia.
um presente de deus esta angústia.
vire-se e retorne ao principado,
que fico aqui, Sem fim e sem sentido.
entenda,
eu não te acompanho mais.
